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Educação à distância é ensino domiciliar?

É de se admirar que não consigam enxergar as diferenças entre ensino domiciliar e EAD, entre faculdade e obrigatoriedade. (Foto: sofatutor/Unsplash )

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Acredito que foi no ano passado, eu assisti a um viral da rede social de um desses filhos notáveis. Alguns questionavam ou supunham que a adolescente estudava em uma escola cívico-militar, mas a mãe os respondia categoricamente que a filha nunca estudaria numa escola assim porque não era o perfil dela, e depois começou a pontuar as qualidades da menina. Com uma criança prodígio que havia ganhado as redes e os corações de todo mundo, perguntei à mãe se ela praticava ensino domiciliar, dado o desenvolvimento incomum. Meu objetivo era entrevistá-la em vídeo, como costumava fazer. E eu precisei ler que ela apoiava totalmente a escola. Então, percebi o quanto ainda estamos distantes do acesso à informação, mesmo na Era Digital.

“É só olhar a educação na pandemia, falhou” e assim um canal de notícias resume, na manchete, a opinião de especialistas que se apresentam contrários ao homeschooling. O interessante é notar que as entrevistadas, especialistas em educação, que comandam fundações ou que já estiveram no cargo de educação do Banco Mundial, desconsideram aspectos importantes quanto à questão, e uma delas parece-me ser do grupo de uma tal ministra que defende a restrição da liberdade para justificar o que considera legítimo.

É de se admirar que não consigam enxergar as diferenças entre ensino domiciliar e EAD, entre faculdade e obrigatoriedade (direito e dever) entre os fatos e a razão

Todos aqueles que usam a pandemia como experimento falho do ensino domiciliar acreditam piamente que você não notará o truque de ilusionismo. Com uma mão eles te mostram crianças estudando em casa, com a outra, eles escondem o ensino à distância. Se a pandemia provou a falibilidade do modelo adotado, já podemos proibir o EAD?

E se, assim como diz a matéria, os pais não têm preparo pedagógico ou didático para acompanhar a base da educação infantil por terem apenas o ensino médio, o que dizer do julgamento da ADI 1194/SE? “Lei estadual não pode exigir formação em nível superior para professores da educação infantil e dos cinco primeiros anos do ensino fundamental; isso porque a lei federal (LDB) admite formação em nível médio”.

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A professora do seu filho de dez anos só tem o ensino médio, mas na escola em que ela aprendeu o que vai ensiná-lo, ela também adquiriu preparo pedagógico e didático, despreparada é você que não estudou lá.

Escola não é lugar de socialização, mas de aprendizagem. Se assim o fosse, estaríamos desobrigados de socializar depois de recebermos o diploma? É por isso que esses mesmos professores terminam o ensino médio e retornam à escola para ensinar? Para continuarem socializando? Ai daqueles que não ensinavam antes das redes “sociais” … que involuíam socialmente com o tempo à la Benjamin Button…

Assim como a escola não detém o monopólio da socialização, também não detém o monopólio do ensino. Para pessoas notáveis como essas, é de se admirar que não consigam enxergar as diferenças entre ensino domiciliar e EAD, entre faculdade e obrigatoriedade (direito e dever) entre os fatos e a razão. E se essas mesmas pessoas não o enxergam, se de boa-fé assim o agem, o que dirá as demais…

Isadora Palanca é escritora e autora dos livros “Ensino domiciliar na política e no direito”, “Regulamentações do ensino domiciliar no mundo” e “AFESC: em defesa do ensino domiciliar”.

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