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Educação como ativo para toda a vida

Educação é investimento no sentido mais amplo: gera retorno financeiro, consolida trajetórias e amplia possibilidades de realização pessoal. (Foto: Andrea Piacquadio/Pexels)

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No atual momento do ano, quando decisões sobre matrículas e estratégias familiares ou institucionais são tomadas, distinguir custo de investimento em educação é fundamental. Para gestores e pais de alunos, compreender essa diferença pode transformar resultados, expectativas e perspectivas a longo prazo.

Financeiramente, custo é todo gasto que não retorna valor futuro: despesas administrativas, contas fixas e insumos que apenas mantêm atividades operacionais. Investimento, por sua vez, representa aplicação consciente de recursos com o objetivo de gerar ganhos duradouros. Na educação, esse retorno pode se manifestar em oportunidades profissionais, mobilidade social, aumento de renda e desenvolvimento humano. Enxergar mensalidades, cursos complementares ou novas ferramentas educacionais como “gasto” limita o potencial de transformação; considerá-los investimento amplia horizontes e fortalece o papel estratégico desses recursos.

A visão limitada de tratar educação apenas como custo pode resultar em decisões restritivas, baixo estímulo à inovação e perda de competitividade para escolas e alunos

A teoria do capital humano, elaborada por Gary Becker e outros economistas, sustenta que investir em educação significa aumentar o valor econômico do indivíduo, aprimorando suas competências, produtividade e capacidade de geração de renda. Dados recentes confirmam com clareza esse efeito no Brasil: segundo o Indicador ABMES/Symplicity de Empregabilidade 2025, concluintes do ensino superior tiveram aumento médio de 81% na remuneração após a graduação, saltando de R$ 2.783 para R$ 5.045 mensais. Esse valor corresponde a 46,5% acima da média nacional. Além disso, até 15 meses após a formatura, 85% dos ex-alunos estão empregados, muitos em suas áreas de formação, que costumam apresentar salários ainda mais elevados.

Essas informações reforçam que educação é investimento no sentido mais amplo: gera retorno financeiro, consolida trajetórias e amplia possibilidades de realização pessoal. O diploma superior, além de ser comprovadamente um diferencial de empregabilidade, é associado a ganhos não mensuráveis diretamente em dinheiro, autoestima, capital cultural, repertório, ampliação de redes de contato e flexibilidade para lidar com mudanças sociais e tecnológicas.

Para gestores, investir em qualidade de ensino, inovação pedagógica e formação continuada fortalece a reputação institucional, atrai famílias engajadas e potencializa resultados acadêmicos. A alocação estratégica de recursos em infraestrutura, corpo docente e tecnologias educacionais eleva o padrão e amplia o impacto social da educação. Para pais, escolher por uma educação de qualidade aumenta substancialmente as chances de sucesso dos filhos, influenciando a trajetória para além do contexto imediato.

A visão limitada de tratar educação apenas como custo pode resultar em decisões restritivas, baixo estímulo à inovação e perda de competitividade para escolas e alunos. Ao considerar investimentos em mensalidades, cursos complementares ou atividades extracurriculares apenas como gastos, perde-se a dimensão do retorno, seja ele financeiro ou em formação integral para o mundo contemporâneo.

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Em períodos de planejamento, especialmente entre fim e início de ano, é urgente revisar nossas escolhas. O que parece apenas uma despesa pode ser o principal ativo de valorização pessoal, familiar ou institucional. Ao adotar ferramentas claras de planejamento, é possível identificar com precisão onde está o investimento de maior impacto e como alocá-lo estrategicamente para colher resultados duradouros.

Mais do que uma distinção contábil, entender custo e investimento em educação é uma mudança de mentalidade. Gestores e famílias têm papel decisivo na construção desse olhar. Investir em educação é investir no futuro, promovendo oportunidades, ampliando horizontes e fortalecendo a capacidade de transformar realidades.

Hugo Meza Pinto é professor da Estácio em disciplinas de Gestão e de Economia.

Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

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