i

O Sua Leitura indica o quanto você está informado sobre um determinado assunto de acordo com a profundidade e contextualização dos conteúdos que você lê. Nosso time de editores credita 20, 40, 60, 80 ou 100 pontos a cada conteúdo – aqueles que mais ajudam na compreensão do momento do país recebem mais pontos. Ao longo do tempo, essa pontuação vai sendo reduzida, já que conteúdos mais novos tendem a ser também mais relevantes na compreensão do noticiário. Assim, a sua pontuação nesse sistema é dinâmica: aumenta quando você lê e diminui quando você deixa de se informar. Neste momento a pontuação está sendo feita somente em conteúdos relacionados ao governo federal.

Fechar
A matéria que você está lendo agora+0
Informação faz parte do exercício da cidadania. Aqui você vê quanto está bem informado sobre o que acontece no governo federal.
Que tal saber mais sobre esse assunto?
Artigo

Escolha educacional para os pobres também

  • PorAnamaria Camargo
  • 18/05/2020 18:04
Escolha educacional para os pobres também
| Foto: Marcos Tavares/Thapcom

Uma das ideias mais prevalentes é a de que famílias pobres, chefiadas por pais e mães com pouco estudo, seriam incapazes de escolher uma escola adequada para seus filhos. É a arrogância travestida de boas intenções, tão corriqueira entre a elite acadêmica. Esta é uma das justificativas para impor um currículo único, inclusive para escolas particulares. Os “bem-intencionados” especialistas temem que os pobres se sacrifiquem para pagar uma escola sem avaliar – ignorantes que são – os serviços oferecidos. É preciso, portanto, assegurar que o currículo de todas seja chancelado pelo MEC. Assim, pelo menos a qualidade – esta mesma que vemos nas escolas públicas – é garantida.

Outra maneira de manter a plebe ignara protegida de suas escolhas infelizes se dá por meio da proibição do uso de recursos públicos em escolas privadas através de vouchers, por exemplo. Neste caso, a proteção relaciona-se menos com questões curriculares – já que neste aspecto não há diferenças significativas – e mais com uma suposta propensão dos “oprimidos” de serem manipulados por empresários “opressores”. Mais arrogância e preconceito.

Claro que a articulação dessas ideias não se dá explicitamente. Dificilmente veremos um especialista do MEC ou de alguma ONG defensora do combo “público-gratuito-de qualidade” expressar o que realmente pensa sobre a capacidade dos mais pobres de fazer escolhas educacionais.

Felizmente, para quem evidências científicas valem mais do que preconceitos, há diversos estudos disponíveis. Um deles – More than scores, de James Kelly e Benjamin Scafidi – se baseia no programa de bolsas de estudo via crédito fiscal no estado americano da Geórgia, por meio do qual estudantes acessam escolas privadas. Ao se investigar as razões das escolhas de seus pais, os pesquisadores descobriram que são justamente os mais desfavorecidos social e economicamente os mais criteriosos ao selecionar escolas.

Como nos Estados Unidos escolas privadas têm currículos diferentes, cada família escolhe aquela que condiz com suas expectativas. Um ambiente seguro e propício à aprendizagem está no topo dos critérios de todos os pais, independentemente do nível socioeconômico. No entanto, para os mais pobres, um currículo focado em disciplinas que preparem o filho para uma faculdade é essencial: ênfase no ensino de Matemática, leitura e Ciências, além de foco em habilidades como autodisciplina e boa expressão oral e escrita. Nada disso deveria surpreender. Pais que não puderam estudar sabem que não há tempo a perder e que, sem ensino adequado, dificilmente seus filhos conseguirão mobilidade social.

O estudo mostra que são eles, também, os mais exigentes quanto ao acesso a informações. Escolas que não se dispõem a lhes fornecer as informações que eles demandam – taxa de conclusão do ensino secundário e de acesso a universidades, por exemplo – dificilmente são selecionadas por essas pessoas. Isto representa um incentivo para que escolas divulguem proativamente suas informações. Escolas querem clientes e famílias querem bons serviços. Não há opressores ou oprimidos na relação entre as famílias e as escolas.

Sim, os pobres sabem fazer escolhas educacionais; não precisam que o Estado ou os educratas lhes digam o que é bom para eles. Basta que lhes seja dado acesso às informações e aos recursos, frequentemente desperdiçados no ensino público, para pagar a escola de sua escolha. Viva a liberdade de escolha educacional!

Anamaria Camargo é mestre em Educação pela Universidade de Hull (Inglaterra).

2 COMENTÁRIOSDeixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Máximo de 700 caracteres [0]

Receba Nossas Notícias

Receba nossas newsletters

Ao se cadastrar em nossas newsletters, você concorda com os nossos Termos de Uso.

Receba nossas notícias no celular

WhatsApp: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.

Comentários [ 2 ]

Máximo 700 caracteres [0]

O conteúdo do comentário é de responsabilidade do autor da mensagem. Consulte a nossa página de Dúvidas Frequentes e Termos de Uso.

  • I

    Isaias Lobao

    ± 3 horas

    Este texto demonstra a necessidade de um educação plural em nosso país. As escolas deveriam ter curriculos diferentes para atuar em realidades diferentes. Que a liberdade chegue aos nossos bancos escolares.

    Denunciar abuso

    A sua denúncia nos ajuda a melhorar a comunidade.

    Qual é o problema nesse comentário?

    Obrigado! Um moderador da comunidade foi avisado sobre a denúncia. Iremos avaliar se existe alguma violação aos Termos de Uso e tomar as medidas necessárias.

    Confira os Termos de Uso

    • Máximo 700 caracteres [0]

  • D

    DENISSON HONORIO DA SILVA

    ± 24 horas

    A senhora não pode dizer essas coisas no Brasil. Isto é heresia que pode gerar sua ex-comunhão. Dizer que os tecnocratas estão errados. Que é isso companheiro!!Brincadeiras à parte. Sua critica é absolutamente pertinente. Li há alguns anos Anisio Teixeira, onde desancava o ensino brasileiro por ser eleitista e responsável por desigualdade social. Mas o que me chocou foi ele afirmar que os filhos dos senhores de engenho é que desfrutariam das universidades brasileiras. Meu Deus, então vamos estatizar as escolas e impedi-los. Não deu certo. A casta mudou apenas de nome. Tenhamos colegio marista e PUC para todos.

    Denunciar abuso

    A sua denúncia nos ajuda a melhorar a comunidade.

    Qual é o problema nesse comentário?

    Obrigado! Um moderador da comunidade foi avisado sobre a denúncia. Iremos avaliar se existe alguma violação aos Termos de Uso e tomar as medidas necessárias.

    Confira os Termos de Uso

    • Máximo 700 caracteres [0]