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Ferrovias, inteligência e o dever de conectar o país

Precisamos ampliar a infraestrutura ferroviária. Mas construir uma linha é apenas parte da tarefa. É preciso saber a quem ela servirá, como se conectará aos demais modos de transporte. (Foto: Laurent Jollet/Unsplash )

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Durante a recepção na Embaixada do Brasil, na InnoTrans 2026, em Berlim, a maior feira do setor ferroviário e de tecnologia de transporte do mundo, reencontrei velhos amigos que considero verdadeiros heróis do setor ferroviário. São profissionais que dedicaram décadas a construir ou, talvez, a retomar o sonho do Barão de Mauá: um país capaz de usar seus trilhos para aproximar pessoas, regiões e oportunidades.

Também encontrei uma geração de especialistas brasileiros cujo trabalho em tecnologia ferroviária alcança reconhecimento internacional. Temos conhecimento, experiência e capacidade para contribuir com uma nova etapa do transporte sobre trilhos. O desafio é transformar essa inteligência em uma política contínua de investimento e operação.

Para o passageiro, a integração deve ser percebida na viagem inteira: sair de casa, chegar à estação, fazer uma conexão previsível e alcançar o destino com segurança e dignidade

Precisamos ampliar a infraestrutura ferroviária. Mas construir uma linha é apenas parte da tarefa. É preciso saber a quem ela servirá, como se conectará aos demais modos de transporte, qual demanda poderá atender e como seu desempenho será acompanhado ao longo do tempo. Sem planejamento e gestão, corremos o risco de investir em redes que não funcionam como uma rede para o cidadão.

É nesse ponto que a tecnologia deixa de ser um complemento e passa a ser uma condição para decisões melhores. Dados confiáveis sobre demanda, oferta, pontualidade, capacidade, custos e qualidade permitem ajustar serviços, coordenar conexões, avaliar resultados e prestar contas à sociedade. O novo Marco Legal do Transporte Público Coletivo reforça a importância do planejamento integrado, do acesso à informação e da transparência. Para transformar essas diretrizes em prática, o poder público precisa de capacidade técnica e ferramentas de gestão.

Para o passageiro, a integração deve ser percebida na viagem inteira: sair de casa, chegar à estação, fazer uma conexão previsível e alcançar o destino com segurança e dignidade. Pouco importa se cada trecho pertence a uma autoridade ou a um operador diferente; a necessidade de deslocamento é uma só.

O Brasil dispõe de profissionais capazes de ajudar a construir esse futuro das ferrovias. Cabe ao Estado criar as condições para que infraestrutura e inteligência avancem juntas. Oferecer ao cidadão uma mobilidade ferroviária verdadeiramente integrada é um direito que precisamos concretizar e um dever público que não podemos continuar adiando.

Mauricio Corte é vice-presidente de contas estratégicas da Hitachi Mobility Multimodal Solutions na América Latina.

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