Um jovem me perguntou que conselho eu daria para quem deseja fazer investimentos. Sugeri que ele meditasse sobre o seguinte: se você contratar um motorista para entregar uma carga, certamente ele lhe perguntará: a) qual o local de entrega? b) qual o veículo eu irei usar? c) que caminhos eu tenho para chegar lá? Pois bem, um investidor deve formular as mesmas perguntas para si mesmo. Ou seja, ele deve saber aonde quer chegar, que recursos tem para aplicar e quais investimentos estão à sua disposição.
A palavra-chave é "conhecimento". Conhecimento de si mesmo, conhecimento da sua situação financeira e conhecimento sobre seus objetivos e suas metas. Não existe um único plano de investimento aplicável a todos. Há planos diferentes para diferentes pessoas. Também há diferentes graus de riscos para diferentes investidores. Determinado investimento é mais ou menos arriscado dependendo de quem o faz e de quem o gerencia. Os samurais dizem que uma espada não tem riscos em si mesma; o risco resulta da forma como ela é usada. O escritor Robert Kiyosaki, por sua vez, afirma que "o risco não está no investimento; o risco está no investidor".
Investimentos pessoais não são jogos de azar. Até podem sê-los, desde que sejam praticados como uma jogatina. Investir é uma arte e uma técnica e depende de que você tenha conhecimento de si mesmo e do mundo do dinheiro. Sugeri ao rapaz que, antes de pedir conselhos sobre o melhor investimento, ele deveria dedicar-se a estudar e aprender o máximo sobre si mesmo, sua situação financeira, seus objetivos e sobre o mundo dos investimentos. Somente depois de estudar, aprender e refletir, ele deveria elaborar um plano de investimentos adequado à sua própria realidade.
O melhor plano financeiro para você pode não ser o melhor financeiro para mim, pois somos pessoas diferentes, com diferenças de crenças, de idade e de objetivos. Um exemplo é a tolerância a riscos e a capacidade de assumir riscos, que variam de pessoa para pessoa, e devem ser consideradas na elaboração de planos financeiros. Eu disse ao rapaz que, para dar-lhe qualquer conselho sobre onde investir o seu dinheiro, eu teria de conhecer a sua história de vida, o seu projeto de futuro, a sua personalidade e a sua tolerância a riscos, e que seria um erro ele sair investindo com base em dicas de parentes, de amigos ou de consultores.
As três palavras mais importantes no mundo dos investimentos são: segurança, rentabilidade e liquidez. Sugiro a quem queira investir que estude, informe-se e medite a respeito, antes de escolher seu plano financeiro. Assim falei ao jovem e é o mesmo que recomendo a qualquer um que ande em busca de conselho fácil, dica simplista ou sacada genial sobre investimentos financeiros. O melhor investimento é aquele feito com base em conhecimento, planejamento e clareza de objetivos e propósitos. A maioria das pessoas gostaria de obter o máximo de rendimento, rapidamente e com pouco risco. Infelizmente, não existe fórmula mágica para isso. Recomendo sempre que a prioridade deve ser proteger o seu dinheiro. Sobretudo, proteja-o da sua ignorância e não faça investimentos arriscados até que você esteja preparado para tanto.
Quando falamos em ganhar dinheiro, o nome de Warren Buffett surge. O maior investidor do mundo formulou sua política de investimentos, a partir do exame da sua personalidade e dos limites dos seus conhecimentos. Um dos seus princípios é que somente compraria ações de empresas que tivessem um produto simples, conhecido e que não precisasse ser modificado. A Coca-Cola vende o mesmo produto há 122 anos e certamente continuará vendendo pelos próximos séculos. Com isso, ela pouco investe em pesquisa, não tem de ficar mudando seus equipamentos e sabe que, chova ou faça sol, os consumidores vão continuar bebendo seu refrigerante. Buffett é sócio da Coca-Cola, da Gillette e outras companhias cujo produto continuará o mesmo daqui a cem anos.
Buffett não acordou um dia e teve um lance mental sobre tudo isso. Ele passou anos estudando, trabalhando e aprendendo sobre si mesmo e sobre o mundo do dinheiro e dos negócios. Somente depois ele definiu seus princípios e sua política de investimentos. Não há milagres. O que há é estudo, conhecimento e trabalho.
José Pio Martins, economista, é reitor da Universidade Positivo



