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Primeiramente, sim, a Ucrânia está ganhando a guerra. Isso fica evidente nas baixas russas superiores ao recrutamento mensal, na debilitação das forças terrestres, na crise de combustível e restrições em quase todas as regiões russas, e na anulação da marinha no Mar Negro desde 2025: tudo graças à superioridade em drones de curto, médio e grande alcance, além dos drones marítimos.
O cerne dessa virada está no alinhamento crescente da Ucrânia com práticas liberais de livre mercado. Elas permitiram o desenvolvimento de um complexo de inovação militar centrado em drones e, mais importante, criaram um país resiliente econômica, tecnológica e socialmente.
Enquanto a Ucrânia usa valores liberais para contornar a assimetria de recursos, a Rússia permanece ancorada no controle estatal centralizado de tradição soviética. Essas escolhas transformaram o país, visto em 2022 como dono de um pequeno exército pós-soviético, no maior e mais moderno exército da Europa e em potência exportadora de tecnologia bélica.
Autodeterminação, autonomia, democracia e liberdade individual são ideais que mobilizaram a sociedade civil desde o início com impacto de curto prazo. A liderança ucraniana e o forte senso de identidade nacional frustraram o plano russo de tomar Kiev em dias.
O modelo autocrático russo sufocou a inovação; a Ucrânia mostrou que a defesa da liberdade se faz com mais liberdade. Ao mobilizar o livre mercado, a concorrência e a autonomia no front, o país não apenas garante a vitória, mas redefine a guerra moderna
Já em 2014, na Revolução da Dignidade, mais de um milhão de pessoas protestaram por meses contra a aproximação com a Rússia de Putin, derrubando Yanukovych após a morte de 108 civis. A anexação da Crimeia e do Donbass e, sobretudo, a invasão de 2022 completaram a ruptura: se fossem o mesmo povo, por que mais de 200 mil soldados pró-Rússia matariam dezenas de milhares de civis ucranianos?
Nos primeiros 14 dias, cerca de 100 mil voluntários pegaram em armas – mais da metade do efetivo formal da época. Cinco meses depois, o exército triplicou e ultrapassou 700 mil soldados.
Os mesmos valores liberais também tiveram impacto de médio prazo em alguns momentos. Quando a “operação especial” se transformou em guerra de atrito, a capacidade de produzir recursos e atrair capital tornou-se decisiva. O Acordo de Associação com a UE e a Zona de Livre Comércio eliminaram tarifas e permitiram escoar a produção pela fronteira terrestre, contornando o bloqueio do Mar Negro.
A UkraineInvest, a Lei de Investimento Significativo e o regime Diia.City atraíram capital estrangeiro com isenções e estabilidade regulatória. Taxas simplificadas para prestadores de serviço, aumento da taxa de juros (que reduziu a inflação de 26% em 2022 para 5-8% em 2024) e a liberalização cambial gradual reforçaram a resiliência. O aplicativo Diia concentrou mais de 100 serviços digitais, acelerando a desburocratização.
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Por fim, a crença liberal também trouxe impacto de longo prazo, com uma grande virada tecnológica. A diferença de inovação militar entre as forças russas e ucranianas ganhou escala a partir de 2025. Mykhailo Fedorov, ministro da Transformação Digital até 2026 e depois da Defesa, foi peça-chave.
A produção de drones saltou de 10-20 mil em 2022 para 2,5-3 milhões em 2025, com projeção de 4 milhões em 2026. Iniciativas como o Exército de Drones, a aceleradora Brave1 e a plataforma Delta (com IA) levaram protótipos privados à linha de frente em dias. Brave1 Market (“Amazon da Defesa”) e o sistema de bônus por danos comprovados introduziram meritocracia e concorrência.
Auditorias e leilões abertos reduziram custos. Sistemas privados como o míssil FP-5 Flamingo, drones FPV e Baba Yaga, interceptadores, veículos terrestres e softwares de IA consolidaram a vantagem.
A virada de 2026 reflete o triunfo de uma sociedade livre. O modelo autocrático russo sufocou a inovação; a Ucrânia mostrou que a defesa da liberdade se faz com mais liberdade. Ao mobilizar o livre mercado, a concorrência e a autonomia no front, o país não apenas garante a vitória, mas redefine a guerra moderna e se consolida como a maior força militar da Europa.
Antônio Zappa é jornalista e gestor de tráfego orgânico. Zappa é fellow do Instituto Amplifica.
Conteúdo editado por: Jocelaine Santos



