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Moraes x Lula: a guerra institucional que está fritando poderosos

Enquanto os discursos sugerem harmonia, o recado ao país é outro: enfrentar a corrupção pode custar mais caro do que praticá-la. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

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A política brasileira pode estar diante de um terremoto silencioso. Nos bastidores de Brasília, cresce a percepção de que o conflito entre Alexandre de Moraes e o presidente Lula deixou de ser uma disputa pontual e virou uma guerra. Se essa escalada continuar, o impacto pode ser devastador para ambos os lados.

Alexandre de Moraes concentra hoje um nível de poder inédito na história do país. Relator de inquéritos abertos de ofício, com absoluto controle sobre parte da Polícia Federal e técnicos que atendem à corte, ele se tornou uma peça central no tabuleiro político, com operações policiais, quebras de sigilo e prisões, especialmente de Bolsonaro e de seu núcleo mais próximo.

Quando os poderosos entram em rota de colisão, segredos aparecem, excessos vêm à tona e o jogo fica mais transparente. Se existe abuso de autoridade, que seja exposto; se existe interferência política, que seja revelada

Ao mesmo tempo, o governo Lula também ampliou sua influência sobre o Supremo Tribunal Federal de Moraes. Em menos de quatro anos, o presidente nomeou Cristiano Zanin e Flávio Dino para o STF e indicou o então advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga de Barroso, que renunciou ao cargo convenientemente aos interesses do Planalto.

Após o escândalo do Banco Master, Lula chegou a pedir a saída de Dias Toffoli, ex-advogado do PT indicado por ele ao Supremo em 2009. Com essa saída, Lula poderia indicar mais um nome ao STF, aumentando ainda mais o aparelhamento do Judiciário. O problema é que Alexandre de Moraes está tão envolvido quanto Toffoli no caso Master, e os ventos que derrubam um podem derrubar o outro também.

O histórico entre Lula e Moraes nunca foi de proximidade. Basta lembrar que, em abril de 2018, quando o STF julgou o habeas corpus preventivo do então ex-presidente, Moraes votou contra o pedido, ajudando a formar a maioria de 6 a 5 que permitiu a prisão de Lula. Antes disso, o PT e a esquerda eram ferrenhos opositores do secretário de Segurança de São Paulo, bem como do ministro da Justiça de Michel Temer. A aproximação de Lula e Moraes é recente e só ocorreu por convergência circunstancial diante do crescimento exponencial do bolsonarismo.

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Agora, com Jair Bolsonaro fora do poder e com investigações avançando em todas as direções, essa convergência perdeu utilidade, e até parte da imprensa nacional começou a admitir os excessos de Alexandre de Moraes. O que resta é a disputa por controle político e, sobretudo, por sobrevivência. O vazamento de informações sigilosas da investigação do caso Master evidenciou as relações entre Alexandre de Moraes e o escritório de sua família com Daniel Vorcaro. As informações também expuseram a atuação do ministro junto ao Banco Central em favor do banqueiro investigado. O mesmo aconteceu com Dias Toffoli e o resort Tayayá, no Paraná.

Quando os poderosos entram em rota de colisão, segredos aparecem, excessos vêm à tona e o jogo fica mais transparente. Se existe abuso de autoridade, que seja exposto; se existe interferência política, que seja revelada. Pior seria a harmonia conveniente entre os poderes, em que todos estão aparelhados. Nesse cenário, a briga entre Moraes e Lula não é problema – é oportunidade de equilíbrio no tabuleiro da política brasileira.

Ramiro Rosário é vereador de Porto Alegre pelo partido NOVO.

Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

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