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Moralismo, o inimigo da fé

Cristianismo não é moralismo: a fé nasce do encontro vivo com Cristo, não do medo e das regras que sufocam o desejo e a liberdade. (Foto: RDNE Stock project/Pexels)

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O padre Luigi Giussani (1922-2005), fundador do movimento Comunhão e Libertação, combateu ao longo de toda sua vida o moralismo de forma profunda. Para ele, o moralismo é um dos maiores obstáculos para uma experiência autêntica da fé cristã, é a tentativa de viver a moral cristã sem partir da experiência do encontro com Cristo. É a redução da fé à moral, é viver o cristianismo como cumprimento de regras em vez de relação com Alguém que nos amou primeiro.

O moralismo nasce quando Deus deixa de ser uma presença viva e se torna uma ideia abstrata ou uma imagem idealizada que impõe exigências frias e impessoais. Giussani afirma que o moralismo aniquila o desejo verdadeiro, substituindo-o por culpa, medo e esforço voluntarista. Isso gera frustração, repressão e escrúpulo, em vez de liberdade, alegria e transformação interior.

A moral cristã, para Giussani, não é ponto de partida, mas consequência. A verdadeira moral nasce do impacto com a presença de Cristo, que desperta o desejo de viver de forma nova.

Na pedagogia cristã, o moralismo se manifesta quando se impõem normas sem testemunho, exigências sem fascínio e regras sem um encontro que gere adesão interior. Giussani insiste que o moralismo é o inverso da gratuidade. Ele impede a pessoa de acolher a graça, pois a faz crer que deve “merecer” o amor de Deus antes de tudo.

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Quando o moralismo domina um ambiente surgem falsidade e dissimulação, julgamentos e exclusões, medo de errar e obsessão por performance, perda do frescor do encontro com Cristo, além de incapacidade de acolher os fracos e feridos

Moralismo, portanto, é uma tentativa de viver a fé a partir do esforço humano, sem fascínio, sem experiência e sem relação pessoal com Cristo, reduzindo o cristianismo a uma série de obrigações que oprimem a liberdade.

Já o cristianismo verdadeiro é o impacto com uma presença que muda o olhar sobre si mesmo, sobre os outros e sobre a realidade, é a experiência de um amor gratuito que desperta o desejo de corresponder, ou seja, de iniciar um caminho de pertencimento que transforma, aos poucos, toda a vida.

Dimitri Martins é mestre em Administração, especialista em Gestão Pública e servidor público federal.

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