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Muito além do “faz-tudo”: o verdadeiro papel do estágio e da aprendizagem no futuro do trabalho

Estágio não pode ser sinônimo de mão de obra barata. Jovens precisam de orientação, prática e oportunidades reais para construir o futuro. (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

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O maior direito de um estagiário ou aprendiz é aprender. Parece uma afirmação óbvia, mas ela ainda precisa ser reforçada. Apesar dos avanços na legislação e da maior conscientização das empresas, ainda há organizações que tratam esses jovens como mão de obra de apoio, destinando-lhes tarefas sem relação com sua formação. Quando isso acontece, perde-se o objetivo do estágio e da aprendizagem: preparar novos profissionais por meio de experiências práticas, supervisionadas e alinhadas ao processo educativo.

Mais do que atender às exigências legais, essas modalidades representam uma oportunidade para que estudantes coloquem em prática conhecimentos técnicos, amadureçam profissionalmente e tenham seu primeiro contato com o mundo do trabalho de forma estruturada.

Isso significa que o estagiário não deve substituir um profissional contratado nem ser utilizado apenas para executar atividades operacionais

No caso do aprendiz, as tarefas desempenhadas também precisam estar em sintonia com o plano de aprendizagem, permitindo que a teoria ensinada em sala de aula seja aplicada na prática.

Por exemplo, um estudante de Engenharia que participa de projetos supervisionados desenvolve competências técnicas e capacidade de resolução de problemas muito além do que aprenderia apenas em sala de aula. Da mesma forma, um aprendiz que acompanha processos administrativos, recebe orientação e participa da rotina da empresa desenvolve competências que dificilmente seriam adquiridas apenas na formação teórica.

No Centro de Integração Empresa-Escola do Paraná (CIEE/PR), entre janeiro e junho de 2026, acompanhamos mais de 43.500 estagiários e mais de 13.400 aprendizes em todo o estado. Essa experiência reforça uma convicção: quando empresas, instituições de ensino, entidades formadoras e estudantes compreendem seus papéis, a experiência gera benefícios que vão muito além da primeira oportunidade de trabalho. Gera responsabilidade social, impulsiona a formação de talentos e fortalece o futuro das empresas.

Às empresas, deixo um convite para que enxerguem estagiários e aprendizes como profissionais em formação, com reflexo direto na construção de equipes mais qualificadas no futuro. Por isso, invistam em orientação, acompanhamento e atividades compatíveis com os objetivos educacionais. Aos jovens, reforço a importância de aproveitar essa fase com responsabilidade, curiosidade e disposição para aprender. As competências técnicas são fundamentais, mas atitudes como comprometimento, ética e vontade de evoluir também fazem parte de uma carreira de sucesso.

Muito além de executar tarefas, estagiários e aprendizes estão construindo as bases de sua trajetória profissional. Cabe a todos nós garantir que essa experiência seja, de fato, uma oportunidade de aprendizado e desenvolvimento.

Às empresas, aos jovens e às instituições de ensino, faço outro convite: que visitem as 37 unidades do CIEE/PR em todo o estado para conhecer o trabalho que vem sendo realizado há quase 60 anos.

Eugenio Stefanelo é presidente do CIEE/PR.

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