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No dia 15 de outubro, celebra-se o Dia Internacional das Mulheres Rurais. A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) para reconhecer o papel das mulheres no desenvolvimento agrícola e na segurança alimentar. Há uma carência desse ponto de vista feminino quanto às decisões inerentes ao campesinato, às empresas e ao gerenciamento do dia a dia das plantações. É evidente que o agro, como todos os outros setores, tem muito o que aprender com o compósito – ou seja, com a massa de pessoas do gênero, a fim de haver uma equidade no comando das produções ao redor do Brasil.
E é extremamente relevante que elas estejam na ponta do agro. Um dos pilares da economia nacional, o segmento ocupa uma posição estratégica na segurança alimentar global. Nas décadas passadas, o setor se transformou com o avanço da tecnologia, da gestão e da inovação. Contudo, há uma mudança igualmente importante, apesar de silenciosa, que ocorre dentro dessa estrutura: o crescimento da presença feminina no agro – e, quando falamos disso, não nos referimos às atividades domésticas em sedes e escritórios, mas no mando de milhares de funcionários.
Na gestão das propriedades do agro, o avanço também é visível. Segundo o Censo Agropecuário 2017, do IBGE (o mais recente disponível), 946 mil mulheres dirigiam estabelecimentos rurais, e outras 817 mil compartilhavam a direção com o cônjuge
Cada vez mais, queremos que elas ocupem posições relevantes em toda a cadeia produtiva do agro, estando à frente de propriedades rurais, participando da gestão de cooperativas e no comando de áreas estratégicas dentro de empresas, contribuindo para fortalecer a governança e a segurança jurídica de um nicho econômico em ascensão constante, aparelhando-se, tornando-se mais complexo e globalizado. No Brasil, essa transformação é particularmente significativa. A presença feminina tem crescido de forma consistente, acompanhando a evolução tecnológica e a profissionalização das atividades ligadas ao campo.
As mulheres somavam cerca de 10,9 milhões dos 28,6 milhões de trabalhadores do agro brasileiro no terceiro trimestre de 2025 (aproximadamente 38% do total), segundo o Boletim Mercado de Trabalho do Agronegócio, do Cepea (Esalq/USP), em parceria com a CNA. No acumulado de 2025, o contingente feminino cresceu 2,6% (278 mil trabalhadoras a mais), acima da alta de 1,9% entre os homens. Mesmo no primeiro trimestre de 2026, quando o setor perdeu 267 mil postos, a queda entre as mulheres (0,5%) foi menor do que entre os homens (1,2%).
Na gestão das propriedades do agro, o avanço também é visível, embora mais lento. Segundo o Censo Agropecuário 2017, do IBGE (o mais recente disponível), 946 mil mulheres dirigiam estabelecimentos rurais, e outras 817 mil compartilhavam a direção com o cônjuge. A participação feminina no comando passou de 12,7%, em 2006, para 18,7%, em 2017.
Juntas, elas administravam cerca de 30 milhões de hectares, o equivalente a 8,5% da área total – sinal de que a presença feminina se concentra em pequenas propriedades. No Banco do Brasil, as mulheres representavam 37% dos cerca de 2 milhões de clientes do agro em setembro de 2025 (732 mil).
A capacidade de gestão no campo não está associada a gênero, mas a preparo técnico, visão estratégica e habilidade de tomar decisões em cenários complexos. A diversidade nas lideranças fortalece propriedades rurais, cooperativas e empresas agroindustriais, ampliando resultados e estimulando a inovação. O agronegócio, como um dos pilares da economia nacional, tem acompanhado essa evolução ao ampliar a participação feminina em posições de comando e ao valorizar competências que fortalecem a governança e a sustentabilidade dos negócios.
Mais do que ocupar espaços, as mulheres têm contribuído para redefinir o conceito de liderança no agro. Modelos de gestão baseados em planejamento, colaboração, organização e desenvolvimento de equipes vêm ganhando força e agregando valor às propriedades e empresas do agro. O resultado é um ambiente mais profissionalizado, produtivo e preparado para os desafios do futuro. Valorizar a participação feminina é, portanto, valorizar o próprio desenvolvimento do agro brasileiro.
Ana Paula Sodré é diretora jurídica do Grupo GIROAgro.



