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Fila para vacina na Unidade de Saúde Ouvidor Pardinho, em Curitiba. Imagem ilustrativa.
Fila para vacina na Unidade de Saúde Ouvidor Pardinho, em Curitiba. Imagem ilustrativa.| Foto: Gerson Klaina / Tribuna do Paraná

Cumprindo a função de fiscalizar, inerente ao cargo de vereador, fui a um dos postos de vacinação para acompanhar o andamento dos trabalhos dias atrás. Não demorou muito tempo para perceber alguns fatos importantes: 1. As pessoas que estão fazendo atendimento ao público, conferência dos dados, alimentação do sistema e a vacinação em si, na grande maioria dos casos, esbanjam boa vontade e gentileza. 2. Não há qualquer mecanismo de higienização das pranchetas que estão sendo usadas para preenchimento das fichas cadastrais entregues aos cidadãos. 3. Não existem filas preferenciais para lactantes e pessoas com crianças de colo.

Sobre a boa vontade e cortesia dos servidores municipais, é preciso tecer um elogio à grande maioria. Muitos deles estiveram em Unidades Básicas de Saúde e Unidades de Pronto Atendimento ao longo da maior parte da pandemia, submeteram-se ao risco de infecção e alguns até se infectaram. Apesar disso, a responsabilidade de atender à população – compromisso assumido ao entrarem para o serviço público – tem falado mais alto. Somos todos muito gratos pelo que estes servidores têm feito país afora.

A respeito das pranchetas, não sei se está ocorrendo este mesmo fato em todos os postos de vacinação de Curitiba, mas, no local em que fui fazer a fiscalização, não presenciei nenhum procedimento para impedir que elas passassem de mão em mão sem qualquer protocolo de higienização. Alô, Prefeitura! Isto é algo simples de corrigir e obviamente urgente.

Por fim, acho indispensável entrar em uma discussão que não tem relação somente com a pandemia. Ao contrário, está relacionada ao que desejamos ser como sociedade independentemente do momento vivido.

Filas preferenciais não foram criadas para beneficiar alguns em detrimento dos outros. Foram criadas para atender com maior rapidez aqueles que são impedidos de permanecer na fila por muito tempo. Foram criadas não para estabelecer igualdade entre as pessoas, mas equidade: quem aguenta ficar mais na fila (maioria) fica um pouco mais, para que os que aguentam menos (minoria) fiquem muito menos.

No mundo ideal, as filas preferenciais não precisariam existir, pois as pessoas naturalmente dariam preferência àquelas que dela precisam. No mundo ideal, não existem egoístas nem falta de empatia. No mundo ideal, ninguém se sente bem quando alguém se sente mal. Como vivemos no mundo real, as filas ou condições preferenciais são necessárias, indispensáveis.

Depois de tantas dificuldades e tristezas no último um ano e meio, era de se esperar que gestantes, lactantes e pessoas com crianças de colo fossem naturalmente respeitadas, mas não é isso que se tem visto em alguns postos de vacinação. Vale aqui uma análise que sai da sociologia e vai a algo mais objetivo, a biologia: lactantes e pessoas com crianças de colo representam de certa forma o nosso futuro e, consequentemente, deveriam ter prioridade sempre. Em que ponto da evolução nos distanciamos tanto dos animais ditos irracionais, a ponto de descuidarmos da preservação da nossa própria espécie?

Alguém deve estar se perguntando: mas você não está esquecendo dos idosos, gestantes e pessoas com deficiência? Não, porque estou falando da falta de filas preferenciais nos postos de vacinação da Covid-19, e estes grupos foram vacinados em momentos diferenciados, antes daqueles que estão recebendo os imunizantes agora. De qualquer forma, um idoso, gestante ou pessoa com deficiência que não conseguiu se imunizar na data prevista (por exemplo, por motivo de saúde), caso fosse se vacinar hoje, continuaria a ter necessidade de um tratamento preferencial e sem ter de pedir por isto.

Uma pandemia (e todos os problemas que ela trouxe) não pode simplesmente passar sem deixar nenhuma lição. Enquanto não impera o bom senso, é preciso lembrar que a legislação vigente estabelece prioridade de atendimento para algumas pessoas. Neste sentido, ou melhoramos naturalmente como sociedade ou precisaremos sempre que textos frios de leis nos digam o que fazer e o que não fazer. A escolha é nossa!

Professor Euler é vereador pelo PSD em Curitiba.

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