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É comum ouvir dos defensores do socialismo que Cuba foi extremamente prejudicada pelo embargo dos Estados Unidos, sendo essa a principal causa da pobreza e da crise econômica que assolam a ilha até hoje. Argumentam que, nos anos de ouro, o país era um paraíso com as políticas socialistas. Porém, estudos mostram que, na verdade, a raiz da miséria do país é o próprio socialismo.
Entre 1920 e 1930, Cuba era um dos países mais ricos da América Latina e tinha um padrão de vida que competia com o americano da época. Depois disso, veio a revolução socialista, momento em que a economia passou a depender de planejamento central, foram instaurados monopólios estatais e os cidadãos foram impedidos de exercer plenamente o direito à propriedade privada.
O caso cubano nos ensina que liberdade econômica e propriedade privada não são privilégios, mas condições para a prosperidade. Culpar o embargo americano é a saída mais fácil para justificar regimes que fracassaram
Conforme previsto por economistas liberais, a produtividade despencou e o incentivo ao empreendedorismo foi destruído, além de ser anulada qualquer possibilidade consistente de geração de riqueza pela população.
Mesmo durante a época de apoio soviético, o sistema apenas se sustentava artificialmente. No início dos anos 1990, com o fim da URSS, a economia de Cuba colapsou. Desde então, o país vive com apagões, racionamento, escassez e deterioração da infraestrutura.
Isso não foi consequência exclusiva do embargo americano, mas principalmente das decisões dos governantes durante o período socialista, que tornaram o país incapaz de produzir riqueza ou sustentar um livre mercado.
Para justificar a situação em que o país se encontra, o governo cubano, por meio de uma narrativa de vitimização, afirma que o problema é o bloqueio instaurado pelos Estados Unidos. Porém, quando se estudam mais a fundo os efeitos do embargo e separam-se esses impactos das consequências das políticas socialistas, descobre-se que, antes mesmo da crise da URSS, Cuba já era 55% mais pobre do que seria se tivesse se mantido capitalista.
A partir do artigo The Forsaken Road: Reassessing Living Standards Following the Cuban Revolution and the American Embargo, de João Pedro Bastos e Vincent Geloso, percebe-se que o embargo pode, sim, ter afetado preços e comércio no país caribenho. No entanto, o real causador da pobreza que assola Cuba até hoje é o socialismo.
O caso de Cuba nos ensina que liberdade econômica e propriedade privada não são privilégios, mas condições para a prosperidade. Culpar o embargo americano é a saída mais fácil para justificar regimes que fracassaram. Na realidade, o verdadeiro problema foi o bloqueio à liberdade individual, à inovação e à concorrência.
A saída nunca é o socialismo, mesmo quando o objetivo é justiça social. Qualidade de vida e dignidade só são alcançadas por meio de liberdade e responsabilidade. Cuba ainda tem a oportunidade de mudar a maré que enfrenta, mas, enquanto não o fizer, continuará sendo um exemplo de como a ideologia pode sepultar uma nação.
Marina Rebouças é diretora comercial da Azul Cargo Vitória e DM Logística e graduada em Administração de Empresas pela FGV-SP.
Conteúdo editado por: Jocelaine Santos



