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Necessários, geram empregos, mas são feios demais: a expansão dos data centers

Há uma questão que está sendo negligenciada no debate sobre a rejeição popular aos data centers: sua feiura. (Foto: Imagem produzida por ChatGPT/Gazeta do Povo)

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Por todo o país, data centers estão surgindo como cogumelos. Da mesma forma, pessoas de todos os lugares estão se mobilizando contra eles.

As pessoas odeiam os data centers. Quase três quartos dos americanos se opõem a eles, especialmente quando são construídos em seus quintais.

A controvérsia em torno deles pegou os políticos de surpresa. Todos imaginavam que seriam situações em que todos sairiam ganhando. Líderes dos dois grandes partidos favoráveis aos data centers agora correm para tentar desacelerar o movimento de oposição.

Em teoria, os data centers têm tudo a oferecer — empregos, arrecadação de impostos e oportunidades de negócios. As comunidades se beneficiam de empresas do setor privado que injetam bilhões de dólares em áreas rurais carentes, sem nenhum custo para os contribuintes. As escolas recebem mais alunos e seus orçamentos aumentam. Aparentemente, todos sairiam ganhando.

Tentando explicar o ódio

Apesar dos benefícios, existe uma revolta contra os data centers. A maioria das razões envolve considerações muito práticas. Moradores dizem temer contas mais altas de água e eletricidade devido às demandas dos centros. Alguns citam preocupações ambientais, como qualidade do ar e ruído. Outros não gostam da chegada de pessoas de fora, que entram na comunidade com acordos lucrativos e até negociações secretas que dividem os moradores. Outros ainda não confiam nas grandes empresas de tecnologia ou criam teorias conspiratórias em torno da inteligência artificial.

Os defensores dos data centers, incluindo o presidente, são rápidos em classificar qualquer oposição como retrógrada e contrária ao progresso. Eles acusam os críticos dos data centers de não quererem que suas comunidades prosperem. Dizem que os opositores mantêm suas comunidades reféns por causa de ansiedades irracionais.

A questão está polarizando comunidades em todos os lugares.

Uma razão negligenciada: a feiura

Em meio à controvérsia, existe uma objeção que as pessoas têm medo de mencionar. Em um mundo governado pelo dinheiro, essa razão poderia ser considerada constrangedora. No entanto, é difícil negá-la. É melhor simplesmente dizê-la em voz alta.

Os data centers são feios.

Há algo neles que provoca desconforto. A reação instintiva de muitos é dizer: parem. Deixem-nos longe daqui. Eles não pertencem a este lugar.

Um problema mais profundo

Dizer que os centros são feios não significa que sejam desorganizados. Em geral, são edifícios enormes, bem projetados, sem janelas, cercados por gramados bem cuidados e estacionamentos. Os empreendedores fazem todo o possível para torná-los práticos e eficientes.

No entanto, o problema da feiura é muito mais profundo do que apenas design e engenharia. Ele envolve um desejo humano pela beleza que se estende para além da dimensão material da realidade. Quando esse desejo é reprimido, as coisas se tornam sem alma e deprimentes. As pessoas precisam da beleza porque ela fala à alma sobre Deus e sua Criação.

A beleza tem elementos subjetivos, mas existem certos princípios objetivos que precisam ser respeitados. Os data centers são feios porque não lidam com esses elementos fundamentais. Eles introduzem uma aparência de brutalidade que deixa as pessoas oprimidas e esmagadas.

Sem proporção

Primeiro, a beleza depende da proporcionalidade. Coisas grandes ou pequenas demais provocam ansiedade, pois essa falta de proporção torna difícil conhecê-las e compreendê-las.

O instinto humano de sociabilidade exige proporção. Como seres sociais, as pessoas têm uma tendência natural a estabelecer relações e criar ambientes que facilitem sua compreensão e apreciação de tudo o que as cerca. Quando as coisas são desconhecidas ou impossíveis de compreender devido à falta de proporção, as pessoas se sentem estrangeiras em sua própria terra.

Assim, o tamanho monstruoso dos data centers reduz tudo o que está ao redor deles. As instalações são caixas gigantescas e desconhecidas, semelhantes a chips de computador, instaladas no meio de uma comunidade, sem estilo arquitetônico ou ornamentos. As estruturas austeras dão uma impressão de peso que oprime a região. Muitos centros têm uma aparência hostil, semelhante à de uma fortaleza, que os isola da comunidade e das coisas que os moradores consideram proporcionais e, portanto, belas.

Uma segunda razão para a feiura é que o data center é uma estrutura muito estéril e frequentemente sombria, com incontáveis fileiras de máquinas em seu interior e poucos trabalhadores. Os edifícios são sem alma e sem vida e, portanto, feios. Não foram concebidos para promover alegria ou comunidade. Não estão ligados a lugares específicos, pois podem existir onde quer que haja recursos disponíveis. Sobrevivem como intrusos no bairro, sem procurar estabelecer vínculos ou contribuir para sua história.

Não fazem parte da cultura

Por fim, para que algo como esses centros seja belo, é preciso que existam vínculos orgânicos com a população local e sua cultura. O que torna o instinto de sociabilidade muito desconfortável é a ausência de pontos de referência dentro da cultura. O simples conhecimento de que existe algo sem relação com a comunidade local provoca desconforto, e não a alegria proporcionada pela beleza.

Um lugar deveria refletir a população que, ao longo de gerações, o moldou segundo seus gostos e preferências. Os data centers não têm nem buscam essa conexão com as pessoas ou com a cultura locais. É uma relação puramente funcional. Ninguém levaria um visitante para conhecer o data center da região.

As coisas permanentes

Assim, as pessoas odeiam os data centers. Talvez não consigam dizer por quê, mas eles tocam em coisas difíceis de explicar, como a feiura. Às vezes, isso envolve terras, casas e memórias que valem mais do que dinheiro e que, uma vez perdidas, não podem ser substituídas.

O que está faltando é esse elemento humano, que não se encaixa nos ambientes estéreis e acelerados das vastas redes cibernéticas. É aquilo que Russell Kirk chamou de “coisas permanentes”: aquelas normas de beleza, verdade, bondade, justiça e caridade que devem sua existência e autoridade a um poder superior às redes de informação — na verdade, a um Deus transcendente.

Os indivíduos são constituídos de corpo e alma. Limitar a discussão às necessidades materiais das grandes empresas de tecnologia sufoca o espírito humano. As necessidades espirituais, que são superiores às materiais, precisam ser consideradas. Esses temas não podem ser deixados de fora do debate e ignorados.

Em busca de soluções

A solução para a crise dos data centers é muito simples. Ou, pelo menos, assim poderia parecer.

Que os data centers sejam feitos de maneira bela. Que suas estruturas inspirem admiração e reverência. Que estilos e preferências locais sejam utilizados, refletindo a rica beleza e a cultura das comunidades ao redor.

Essas soluções podem parecer fáceis, mas há algo em um data center que parece gritar que isso é impossível. O data center não se presta a esse tipo de ornamentação. Suas funções não permitem que escape dos limites da aridez materialista.

Envolver suas máquinas em uma estrutura semelhante a uma catedral apenas a tornaria estranha e distópica — uma cena de um drama de ficção científica. É quase como se o data center precisasse ser feio para cumprir sua finalidade.

No entanto, esses problemas têm soluções, mas a questão precisa estar sobre a mesa. A chave é reconhecê-la como um problema. Então, a engenhosidade humana poderá trabalhar para mitigar ou disfarçar os danos causados por esse culto à feiura.

Melhor ainda, a controvérsia poderia ajudar a levantar questões sobre as finalidades do data center. Talvez a corrida desenfreada pela inteligência artificial esteja mal direcionada. Pode ser que os modelos de IA não tornem as coisas melhores.

É preciso discutir as causas da frenética intemperança de desejos conflitantes que estão na raiz de tantos problemas pós-modernos. Para resolver o problema dos data centers feios, é preciso um retorno geral à ordem e, acima de tudo, à beleza.

John Horvat II é colaborador sênior do site The Imaginative Conservative e vice-presidente da TFP (Tradição, Família e Propriedade) americana, entidade católica que defende valores religiosos, a família e a ordem social cristã.

©2026 The Imaginative Conservative. Publicado com permissão. Original em inglês: Why Not Say It? Data Centers Are Ugly

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