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O Banco Central está sufocando o Brasil?

Gabriel Galípolo
Juros elevados não são escolha ideológica do Copom, mas consequência lógica de um governo que se recusa a respeitar seus próprios limites. (Foto: Lula Marques/Agência Brasil)

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Ao final de janeiro, o Ministério do Trabalho divulgou os dados do mercado de trabalho referentes a dezembro. Os números impressionaram, pois foi observada uma perda de postos de trabalho não vista desde a pandemia. Foram destruídos mais de 600 mil empregos com carteira assinada, e a região que apresentou a maior variação foi a região Sul, com perda relativa similar à do estado do Paraná, de -1,52%, ficando atrás apenas de Mato Grosso, Santa Catarina, Tocantins e Mato Grosso do Sul. Outro dado que já vinha sinalizando a desaceleração econômica é o IBC-Br, índice do Banco Central que mede a atividade econômica. O indicador recuou para o menor patamar de crescimento interanual desde fevereiro de 2022.

Em meio a esse contexto, o Brasil está com uma das taxas básicas de juros mais altas do planeta, em 15% ao ano, ficando atrás apenas de Turquia, Argentina e Rússia, que, respectivamente, terminaram o ano de 2025 em 37%, 29% e 16%. Entretanto, o Brasil é o campeão na taxa real, que desconta a inflação. Descontando o IPCA acumulado nos últimos doze meses, a taxa real encontra-se na casa dos dois dígitos, próxima de 10,3% ao ano. Para a indústria, lidar com esse cenário torna-se cada vez mais desafiador, e os dados já indicam deterioração. O IBC-Br do setor já apresenta recuo interanual desde setembro.

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), que é o responsável por definir a taxa Selic, reuniu-se no último dia 28 de janeiro e decidiu, por unanimidade, pela manutenção da taxa. Na nota, o comitê afirmou que “entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta”. Entretanto, a inflação corrente já se encontra abaixo do teto da meta e as expectativas estão ao redor da meta de 3% ao ano (4%, 3,8%, 3,5% e 3,5%, respectivamente, para 2026, 2027, 2028 e 2029).

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No comunicado do Banco Central, justificaram que “essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”. Entretanto, é difícil sustentar que tal suavização ocorrerá mantendo-se uma política monetária tão contracionista, o que pode levar a atividade econômica a sofrer em demasia.

Por outro lado, para o investidor o cenário está excelente, pois, além de as aplicações conservadoras estarem indo bem, o mercado de ações, que subiu 33% no ano passado, avançou mais 12% no primeiro mês de 2026. Quem segue sufocada é a classe média, que está com seu nível de endividamento batendo recordes em um ambiente de juros persistentemente elevados.

Raphael Cordeiro, diretor de Investimentos da Zelen Family Office, escritor e professor de pós-graduação da PUC-PR, é formado em Administração, com MBA em Finanças Pessoais.

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