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A expressão “Gigante Adormecido”, em princípio, data de 13 de abril de 1994, em publicação de um caderno especial sobre investimentos na América Latina pelo jornal britânico Financial Times. Bons tempos aqueles em que estaríamos apenas hibernando e, ao acordar, com trabalho e esforço, ocuparíamos o lugar que nos seria devido no cenário mundial nos campos político, social e econômico. Passados mais de 30 anos dessa projeção, o Brasil é um Gigante Entorpecido, sem perspectivas de alguma reviravolta.
Pela primeira vez na história do Brasil, e depois de várias reviravoltas políticas, somos governados por um grupo de onze funcionários públicos que não têm um voto sequer. Nosso Justiçamentário, em perfeita e estreita simbiose com um Executivo liderado por um descondenado, ultrapassou todos os limites que poderiam ser imagináveis por aqueles que receavam a implantação de uma ditadura que veio mascarada de defesa da democracia (história antiga, por sinal).
Nossa sociedade está aviltada não só em seus valores, mas também em suas expectativas, em seu agir na defesa da herança que recebemos de nossos antepassados. É nosso dever resgatá-la não sob nossa ótica partidária, mas sim pelos fundamentos do que significa
Narrativas distorcidas e forjadas; julgamentos sumários no atacado de arruaceiros (nem todos participaram do vandalismo), com penas coletivas e desproporcionais aos atos realmente praticados; perseguição política e financeira daqueles que ousaram criticar os apadrinhados da esquerda no STF; denunciantes transformados em denunciados; coação em depoimentos; prisões sem o devido amparo legal; a Constituição do Brasil sendo ignorada e uma infinidade mais de aberrações no trato coletivo. Individual e, quase que diariamente, mais arbítrios e injustiças.
Tudo isso acompanhado da censura, opressão pelo medo, impunidade e corrupção institucionalizada. São tantas “pauladas” aos opositores do regime que o cidadão perdeu o elã, o ímpeto de reagir e até a vergonha na cara, passando a conviver resignadamente com esse novo estado de coisas. Já que a consciência não se dobra, restou à mente provocar o torpor (sentimento de mal-estar caracterizado pela diminuição da sensibilidade e do movimento; entorpecimento, estupor, insensibilidade, indiferença ou apatia moral; indolência, prostração). Como consequência, muitos tornaram-se torpes.
Boa parte daqueles que ainda não sucumbiram ao ingresso nesse lamentável estado do ser foram tomados por uma profunda letargia (estado de profunda e prolongada inconsciência, semelhante ao sono profundo, do qual a pessoa pode ser despertada, mas ao qual retorna logo a seguir; incapacidade de reagir e de expressar emoções; apatia, inércia e/ou desinteresse). Venceram-nos pelo cansaço ou por nossa invigilância? Será letra morta o refrão do nosso Hino da Independência? "Brava gente brasileira / Longe vá, temor servil/ Ou ficar a Pátria livre/ Ou morrer pelo Brasil"
Se é que ainda podemos chamá-la assim, nossa sociedade está aviltada não só em seus valores, mas também em suas expectativas, em seu agir na defesa da herança que recebemos de nossos antepassados. É nosso dever resgatá-la não sob nossa ótica partidária, mas sim pelos fundamentos do que significa. Sem determinação, coragem e fé, a batalha pelo Brasil já está perdida. Que em 2026, mais do que nunca por conta das eleições, possamos ser vivos, ardentes, inflamados, conscientes e apaixonados. Voltemos ao estágio de Adormecidos e que, ao acordar, possamos tornar realidade nossos melhores sonhos.
Marcos Serra é coronel da reserva do Exército.
Conteúdo editado por: Jocelaine Santos



