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O Japão está militarmente mais forte — e isso fortalece os EUA

Sob a liderança da primeira-ministra Sanae Takaichi, o Japão abandona o pacifismo e acelera seu rearmamento diante da expansão militar da China. (Foto: Riccardo Antimiani/EFE/EPA)

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Durante décadas após a Segunda Guerra Mundial, o Japão manteve uma política de defesa moldada pelo pacifismo e por rígidas restrições ao uso da força militar. Essa era está chegando ao fim, e os Estados Unidos devem acolher essa mudança, visto que o Japão enfrenta um ambiente de segurança cada vez mais perigoso.

A China expandiu drasticamente suas capacidades militares, ao mesmo tempo em que se tornou mais agressiva em relação ao espaço aéreo e às águas territoriais do Japão, bem como às disputadas Ilhas Senkaku. O crescente poderio militar de Pequim também representa uma ameaça direta à estabilidade do Estreito de Taiwan e à ideia de um Indo-Pacífico livre e aberto. Tóquio respondeu iniciando uma reformulação de sua postura de defesa.

Sob a liderança da primeira-ministra Sanae Takaichi, o Japão está acelerando os gastos com defesa, modernizando as Forças de Autodefesa do Japão, fortalecendo suas ilhas do sudoeste e expandindo a cooperação com os EUA e outros parceiros regionais. O Japão ultrapassará sua meta de gastos com defesa equivalente a 2% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano fiscal de 2027, bem antes do previsto. Esta é uma ótima notícia tanto para o Japão quanto para os EUA.

Um Japão mais forte significa uma aliança EUA-Japão mais forte. O Japão abriga aproximadamente 55.000 militares americanos e fornece aos EUA bases cruciais a partir das quais eles podem projetar poder em toda a região do Indo-Pacífico. Essa presença permite que os EUA projetem poder no Estreito de Taiwan e em toda a região do Indo-Pacífico. Felizmente para os EUA, o Japão não pretende apenas abrigar tropas americanas. De fato, as Forças de Autodefesa do Japão já são bastante competentes e bem equipadas, além de demonstrarem uma clara intenção de expandir sua capacidade nos próximos anos.

Tóquio deve continuar a expandir seu orçamento de defesa e a desenvolver as capacidades militares necessárias para defender seu território. A Força Marítima de Autodefesa do Japão é particularmente importante. A geografia do Japão torna o poder naval essencial para proteger suas águas circundantes e manter a liberdade de navegação em toda a região. Expandir a frota japonesa, incluindo o aumento do número de porta-aviões leves de dois para quatro, daria a Tóquio maior capacidade de dissuadir agressões e contribuir para a segurança regional.

O Japão também tem grandes oportunidades para expandir a cooperação com a indústria de defesa dos EUA. Tóquio já está adquirindo armamentos fabricados nos Estados Unidos e avançando para a coprodução de mísseis americanos no Japão. Washington deveria priorizar o Japão em vendas adicionais de equipamentos militares, no compartilhamento de tecnologia e na coprodução sob licença.

Os EUA também deveriam incentivar o Japão a desenvolver sua própria capacidade industrial de defesa, para que Tóquio possa produzir mais armas e munições necessárias para sustentar um conflito prolongado. Além disso, deveriam licenciar um nível mais elevado de tecnologia americana e uma gama mais ampla de sistemas de mísseis dos EUA para que o Japão possa produzi-los por conta própria.

Permitir que o Japão produza armas americanas mais avançadas ampliaria a capacidade de Tóquio de se abastecer, reduzindo a pressão sobre a capacidade de produção dos EUA. Também fortaleceria a ampla rede de segurança liderada pelos Estados Unidos no Indo-Pacífico, criando mais um produtor capaz de fabricar armas e munições essenciais.

Por fim, Washington e Tóquio devem aprofundar a cooperação operacional. Os EUA estão transformando suas Forças no Japão em um quartel-general de Força-Tarefa Conjunta, enquanto o Japão está estabelecendo seu próprio Comando de Operações Conjuntas permanente. Os dois países devem começar imediatamente a realizar exercícios para definir como esses novos comandos funcionarão em conjunto.

Os EUA devem incentivar o desenvolvimento contínuo do Japão como uma potência militar mais capaz e trabalhar com Tóquio para garantir que a aliança esteja preparada antes que uma crise ocorra

A mudança na postura de defesa do Japão não representa um retorno ao seu passado pré-guerra, mas sim o reconhecimento de que o ambiente de segurança que envolve o país mudou fundamentalmente e de que Tóquio tem a obrigação de garantir a segurança e a prosperidade do povo japonês diante do drástico fortalecimento militar e das contínuas ameaças de Pequim.

À medida que o Partido Comunista Chinês expande suas capacidades militares e se torna mais agressivo em toda a região do Indo-Pacífico, o Japão precisa da capacidade de defender seu território, contribuir de forma significativa para a segurança regional e sustentar operações militares em caso de um conflito sério na região. Nos últimos anos, o Japão provou ser um dos parceiros mais fortes e confiáveis dos Estados Unidos no Indo-Pacífico, e Washington deve aproveitar a oportunidade proporcionada pela liderança inspiradora de Takaichi para garantir que o Japão tenha tudo de que precisa para continuar sendo uma força poderosa na região.

Wilson Beaver é consultor sênior de políticas públicas no Centro Allison para Segurança Nacional da Heritage Foundation, centro de estudos dos Estados Unidos.

Erik Cotter é membro do Programa de Jovens Líderes da Heritage Foundation.

©2026 The Daily Signal. Publicado com permissão. Original em inglês: Japan’s Shifting National Security Strategy—and America’s Role in It

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