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O Dia Mundial da Educação Ambiental, celebrado neste 26 de janeiro, foi instituído pela ONU em 1975 para lembrar que a formação das novas gerações passa, também, pela relação que construímos com o planeta. Meio século depois, a data ganhou outro peso. A emergência climática deixou de ser uma preocupação futura e passou a fazer parte do cotidiano. Assistimos de perto a eventos extremos cada vez mais frequentes e intensos. Entre abril e maio de 2024, as enchentes no Rio Grande do Sul fecharam mais de mil escolas da rede estadual. O impacto foi direto na alfabetização: o estado registrou queda de 18,7 pontos percentuais, enquanto o índice nacional subiu 3 pontos. São números que mostram como o clima interfere na trajetória educacional.
Aqui mesmo no Paraná, em novembro do ano passado, um tornado devastou Rio Bonito do Iguaçu, causando seis mortes, centenas de feridos e danos severos em duas das sete escolas estaduais do município. No Colégio Estadual Ludovica Safraider, no centro da cidade, a reconstrução foi estimada em R$ 10 milhões, além da perda de grande parte da frota escolar do município. Ainda assim, em até dez dias, seis escolas retomaram as atividades, garantindo que cerca de 1,5 mil estudantes pudessem concluir o ano letivo.
A educação ambiental se aprende nos livros e nas conversas em sala, mas também se constrói no cotidiano. Quando a escola se torna mais fresca no verão, mais eficiente no uso de energia e integrada ao verde, ela passa a ensinar naturalmente
Esse cenário se soma a outro dado preocupante: os últimos três anos foram os mais quentes já registrados na história. Ondas de calor estão mais frequentes e não se restringem ao verão. Um estudo do Banco Mundial estima que estudantes dos 10% de municípios mais quentes do Brasil perdem, em média, 1% da aprendizagem por ano por causa do calor excessivo. Ao final do ensino médio, isso pode representar até um ano e meio de estudo a menos.
Em 2025, o Brasil sediou a COP 30 em meio a um cenário de alerta. As discussões deixaram claro que governos e empresas precisam agir juntos – e a educação ambiental deve ser parte da resposta a esse desafio geracional. Nesse contexto, o Paraná tem buscado se adiantar. O governo Ratinho Junior lançou, em outubro, o Plano Estadual de Descarbonização da Economia Paranaense (Pedep), com meta de neutralidade climática até 2050.
Na rede estadual de ensino, essa visão se traduz em um grande número de ações. Por meio de programas como o Escola Solar, cada unidade passa a ser também um agente da sustentabilidade, um laboratório vivo de boas práticas ambientais. Essa estratégia dialoga com a Agenda 2030 da ONU e com o Programa Estadual de Educação Ambiental do Paraná, fortalecendo uma política pública integrada.
No projeto da Escola Solar, por exemplo, está prevista a geração de 2,6 milhões de kWh por ano, com economia estimada de R$ 2,1 milhões ao longo do tempo. Vinte escolas em cidades como Foz do Iguaçu, Londrina, Cascavel e Paranavaí já receberam usinas fotovoltaicas, com investimento superior a R$ 3,5 milhões.
Fazer com que as salas de aula sejam mais agradáveis no verão e no inverno também é prioridade. Em 2025, o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Educacional (Fundepar) destinou R$ 354 milhões para obras de reforma e revitalização de unidades escolares, incluindo a modernização elétrica para climatização. A substituição das antigas salas de madeira continua avançando: das 504 existentes no Estado, 320 já foram trocadas por estruturas modernas, com melhor isolamento térmico e acústico. Em locais como o Colégio Campo Ilha Rasa, em Guaraqueçaba, onde o calor era insuportável, a nova estrutura, somada à climatização, mudou a rotina dos alunos.
O projeto Escolas do Futuro amplia essa lógica. Serão sete novas unidades construídas em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), com uso de energia solar, captação e reúso da água da chuva, ventilação cruzada e controle térmico por meio de brises e soluções arquitetônicas inteligentes. A previsão é de, no mínimo, 83% de redução no consumo de energia elétrica e 40% menos uso de água, além de diminuição de emissão de carbono na obra e no funcionamento. A primeira unidade a ser finalizada será a UNV Jardim Holandês, em Piraquara, com investimento de cerca de R$ 33 milhões para atender 1,5 mil alunos.
A educação ambiental se aprende nos livros e nas conversas em sala, mas também se constrói no cotidiano. Quando a escola se torna mais fresca no verão, mais eficiente no uso de energia e integrada ao verde, ela passa a ensinar naturalmente – deixamos de falar de um “futuro” abstrato e passamos a nos concentrar no presente que construímos todos os dias.
Roni Miranda é secretário de estado da Educação do Paraná.
Conteúdo editado por: Jocelaine Santos



