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A eleição do Papa Leão XIV mostrou algo curioso: muitas vezes, o que parece ser a vontade da maioria não é bem isso. Durante o conclave — que é a reunião dos cardeais para escolher o Papa — a cobertura da mídia parecia mais um bolão de apostas do que um jornalismo sério. Tinham listas de favoritos, especulações por todo lado e até “torcidas” por candidatos. No fim, ganhou um nome que ninguém esperava.
Isso não foi por acaso. Mostra como a opinião pública é, muitas vezes, criada e manipulada. Quem de fato decide — seja no conclave ou nas eleições — nem sempre segue o que aparece nas pesquisas, nas manchetes ou no que dizem os “especialistas”.
O sociólogo Pierre Bourdieu dizia que essa ideia de que existe uma opinião pública única é, muitas vezes, uma invenção. Por quê?
Porque nem todo mundo tem opinião formada sobre tudo. Às vezes, a pessoa responde algo numa pesquisa só porque foi pressionada, não porque realmente pensou sobre aquilo
Porque as perguntas das pesquisas já vêm com um filtro. Quem paga pela pesquisa escolhe o que perguntar e quem entra nela. Tem muitos candidatos que nem aparecem nas perguntas — então, como o eleitor vai saber que eles existem?
O resultado é uma tentativa de empurrar certos nomes como se fossem os preferidos do povo. Criam a ideia de que “já está decidido”, que não adianta mais discutir. Isso esfria o debate e desanima quem quer mudar as coisas.
A verdade é que a política, muitas vezes, afasta as pessoas de propósito.
Por isso, o conclave não foi só uma escolha religiosa. Ele serviu como um alerta: quem vota pode surpreender. Pode ir contra tudo que dizem por aí. E isso vale também para a gente, nas eleições. A chamada “opinião pública” é muito mais complicada do que mostram os gráficos e manchetes.
Requião Filho é deputado estadual no Paraná.
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Conteúdo editado por: Aline Menezes



