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O crédito brasileiro encerrou 2025 com números que parecem positivos. O saldo total cresceu próximo de dois dígitos, mesmo com juros elevados. A leitura superficial sugere resiliência. Porém, quem vive a rotina de caixa, risco e inadimplência sabe que volume não é sinônimo de saúde financeira. O que realmente importa é a composição da carteira.
Os dados mostram desaceleração gradual. Empresas avançaram no mês, puxadas por antecipação de recebíveis. Famílias sustentaram o consumo principalmente via cartão de crédito. As concessões ficaram praticamente estáveis quando ajustadas pelos dias úteis. O motor mudou.
Hoje, o crescimento está concentrado no crédito direcionado para empresas e no crédito rotativo para pessoas físicas. Isso não representa investimento produtivo. Representa capital de giro caro e consumo de curto prazo. Quando o crédito financia expansão, gera capacidade de pagamento futura. Quando financia rotativo, antecipa renda e aumenta o risco. O crédito empresarial livre praticamente travou. O avanço veio de operações táticas e defensivas. Sobrevivência, e não crescimento.
Para o primeiro trimestre de 2026, o cenário aponta seletividade bancária, spreads elevados e maior exigência de garantias. A retomada consistente depende do início do ciclo de queda de juros. Sem isso, o crédito continuará dependente de linhas direcionadas. As perguntas corretas agora são simples.
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Quanto do crescimento vem de linhas rotativas. Quanto é dinheiro novo e quanto é rolagem. Qual a dependência de programas públicos. Se o direcionado reduzir, o crédito privado sustenta o ritmo?
Crédito forte não é o que mais cresce. É o que continua sendo pago. Este é o momento de revisar mix de carteira, prazo médio, custo efetivo e políticas de concessão. O primeiro trimestre definirá o tom de todo o ano.
Adolfo Pildervasser é especialista em crédito e gestão de riscos, diretor financeiro, presidente da CISP e autor da “Trilogia da Inteligência Financeira Corporativa”.
Conteúdo editado por: Jocelaine Santos







