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Opinião do dia 2

O triste fim dos carniceiros

As ditaduras latino-americanas geraram carniceiros que engordaram as estatísticas dos mortos por questões políticas. Até uma semana atrás, dois ainda habitavam entre nós, Pinochet e Fidel Castro. O ditador do Chile acaba de morrer. O ditador cubano não deve durar muito.

A história oferece interessantes lições: a primeira é que não há ditadura sem repressão; outra, que as ditaduras de esquerda são, em geral, mais violentas, pois o socialismo fundado na extinção da propriedade privada não se realiza sem o extermínio dos proprietários; a terceira é que todo carniceiro termina de forma melancólica.

Apesar das lições da História, grande é o número de intelectuais e artistas que amam ditadores de esquerda e repudiam os de direita, num exercício de total incoerência. Enquanto intelectuais europeus, vivendo em sociedades livres, adoram o socialismo e seus ditadores, intelectuais que vivem nos países governados por essas ditaduras as odeiam e, quando conseguem escapar das prisões e paredões, se engajam em campanhas contra elas.

O que espanta é a profusão de jovens universitários que, por suposto, amam a liberdade, dedicados a fazer apologia de conhecidos ditadores, vestindo camisetas com seus rostos como se fossem ídolos. De duas uma: ou não conhecem a História e se comportam pela ignorância, ou não são contra os ditadores em si mesmos. Se prevalecer a segunda hipótese, esses jovens não são contra o matador; são contra o pedigree do matador. Se este for de direita, repudiam-no; mas se for de esquerda, amam-no. O próprio Che Guevara, figura popular no meio estudantil, na condição de procurador-geral da revolução cubana comandou o fuzilamento de centenas de jovens que tentavam fazer o que os nossos estudantes fazem no Brasil: protestar contra o governo.

Houve época em que se divulgava que o Brasil corria perigo sob um governo petista. Felizmente, o presidente Lula já demonstrou que não tem a menor vocação para ditador e que não vai embarcar em qualquer onda totalitária. Não existe esse risco no Brasil, seja porque as nossas instituições são mais sólidas do que na maioria dos países latinos, seja porque Lula vem dando mostras de que compreendeu a lição da História e parece ter evoluído mais do que intelectuais e padres que o assessoravam.

Jung Chang, uma mulher de fibra, que fugiu da China para poder revelar certas verdades ao mundo, acaba de lançar o livro "Mao – A História Desconhecida", mostrando que Mao Tsé-tung não matou 20 milhões para implantar o seu projeto totalitário; ele matou 70 milhões. Hitler, na sua ideologia racista tresloucada, patrocinou uma das mais negras páginas da História mundial, assassinando seis milhões de seres humanos, apenas porque eram judeus. Pinochet, conquanto tenha deixado um bom legado na economia, sai da História de forma melancólica pelas vidas que eliminou para sustentar sua ditadura. Terminou processado, confinado e repudiado por tantos quantos acreditam que a vida e a liberdade são os bens maiores da humanidade.

Fidel Castro, que há cinco décadas vem esmerando-se na tecnologia de enviar almas a Deus, prendendo e torturando intelectuais que pensam diferente, está terminando seus dias de forma lastimável, repudiado até por seu maior admirador, o escritor português José Saramago. Os jornais anunciaram que a ditadura de Pinochet foi sanguinária porque matou em torno de 3 mil pessoas. Fidel fuzilou mais de 20 mil e executou o maior programa de exclusão social da América Latina: 20% dos habitantes de Cuba fugiram para Miami.

Se os novos candidatos a ditador do nosso continente souberem ler a História, há esperança de que desistam do caminho lamentável do totalitarismo, seja ele de esquerda ou de direita. Caso contrário, acabarão mal, como todos os seus comparsas de carnificina, apenas com diferença de alguns anos no tempo.

José Pio Martins é professor de Economia e vice-reitor do Centro Universitário Positivo – UnicenP.

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