Uma corrente de opinião que poderia galvanizar a preferência do eleitorado é o trabalhismo, com o PDT propondo-se a reavivar o Projeto Nacional de Desenvolvimento de Getúlio Vargas, continuado por Juscelino Kubitschek, fortalecendo a presença do Estado nos setores essenciais da economia como petróleo e energia elétrica, calcado no empreendedorismo do empresariado e no atendimento das reivindicações legítimas dos assalariados, tendo como meta a justiça social, a busca pelo pleno emprego e o combate sistemático às causas da pobreza.
O PDT saiu incólume da generalizada crise ética escancarada no Congresso Nacional. O partido tem legitimidade para invocar o exemplo de Getúlio Vargas que, após 19 anos de Presidência da República, deixou no seu inventário os mesmos bens herdados dos pais, quando assumiu o Palácio do Catete em 1930, acrescidos de um apartamento no Rio de Janeiro, adquirido com financiamento da Caixa Econômica Federal, conforme reportagem de 7 páginas da Revista O Cruzeiro, antigetulista, de 19 de abril de 1958, que vasculhou seu inventário na Comarca de São Borja, RS.
A retomada do fio da história do trabalhismo autêntico de Vargas, Goulart e Brizola, ainda contemporâneo dos ideais nacionalistas que atualmente empolgam os povos da América Latina, poderá conter os ingredientes para conduzir ao triunfo. O PDT tem candidato próprio a governador em 15 estados, o terceiro maior número de vereadores no país atrás do PMDB e do PFL, a segunda agremiação com maior número de filiados superado somente pelo PT, razoável apoio nos movimentos sociais e sindicais e na Juventude Socialista, arregimentada em todo território nacional.
O grande problema do PDT é escolher um candidato que realmente interprete os ideais trabalhistas. Apesar de seus inumeráveis méritos os senadores Cristovam Buarque e Jefferson Peres parecem estar longe de abraçar as causas nacionalistas que empolgam a latinidade. Ronaldo Lessa ainda é uma incógnita e o professor Bautista Vidal corporifica bem esses ideais.
Cristovam Buarque foi entrevistado longamente em programa da TV Educativa, dia 19 de março último, em Curitiba. Disse que o "Brasil foi seqüestrado pelos banqueiros e precisamos tomar cuidado no resgate para que a vítima do seqüestro não seja ferida pelos seqüestradores".
Afirmou enfaticamente que juros e câmbio não são problema do presidente da República nem do ministro da Fazenda e sim do Banco Central, ou seja, se for eleito presidente da República, garante autonomia plena a este.
Cristovam não explicou como desatar o nó e escapar da armadilha dos juros altos e real sobrevalorizado, que está sucateando grande número de indústrias, provocando evidente desindustrialização, e reduzindo o crescimento do PIB a níveis comparáveis ao do Haiti (média de 2,30% nos oito anos de FHC e pouco mais que isso nos quatro de Lula). Disse que esses problemas irão sendo resolvidos gradativamente.
Ele falou que vai priorizar a educação e através do Orçamento selecionar suas prioridades de governo. Elogiou Brizola na política educacional, mas não defendeu bandeira nacionalista alguma. Mostrou-se submisso ao mercado.
O senador Jefferson Peres, outro pré-candidato do PDT, também é adepto da atual política macroeconômica, conforme proclamou no Senado em transmissão de televisão para todo Brasil, ressalvando que poderia estar se desgastando com seus correligionários com essa afirmação.
Elogiável nos candidatos senadores Cristovam e Jefferson é a honestidade intelectual de não mascararem seus pontos de vista, ainda que desagradando os pedetistas e boa parte do eleitorado.
O PDT teria que submeter seus pré-candidatos presidenciais a uma reciclagem em curso rápido de nacionalismo getulista, janguista e bizolista, sob pena do escolhido tornar-se mero figurante na sucessão.
Talvez dentro da realidade da verticalização, o PDT chegue à conclusão de adiar suas pretensões presidenciais para 2010 e centrar forças na eleição de governador e deputado federal para suplantar a cláusula da barreira.
A candidatura de Heloísa Helena iluminada pelo PSOL congregará os votos da esquerda, indignada com a política macroeconômica ortodoxa praticada pelo governo Lula, em continuidade a FHC. O PPS com Roberto Freire reviverá suas antigas bandeiras.
No próximo artigo, serão analisados os presidenciáveis do PSDB e do PT.
(Continua.)



