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Marcos Do Val

Perdi a eleição, mas não perdi a paz: a absolvição tardia

O Brasil acordou. Percebeu o descalabro e o atraso de mais de duas décadas de governos de esquerda, com seus escândalos, sua arrogância e sua crença de que o poder pertence a quem o ocupa, e não a quem o concede. (Foto: Imagem criada utilizando Open AI/Gazeta do Povo)

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No domingo, dia 4 de outubro, depois de uma campanha sem qualquer apoio político e sem recursos, a voz dos capixabas se fez ouvir, e eu, como sempre fiz, respeito a decisão. Escrevo estas linhas sem mágoa. Escrevo com a serenidade de quem sabe o que enfrentou, as muitas e duras batalhas que travou e com a emoção de quem sabe o que custou.

Desde 2023, venho denunciando as arbitrariedades cometidas pelo ministro Alexandre de Moraes. Falei no plenário, nas redes, nos organismos internacionais. A resposta veio na forma de todas as medidas cautelares previstas na lei processual penal brasileira, com exceção da prisão. Tive o salário bloqueado. A verba de gabinete, que torna possível o exercício do mandato que o povo me deu, foi congelada.

Recebi uma multa de R$ 50 milhões, um número que desafia qualquer proporção e qualquer bom senso. Minhas redes sociais ficaram silenciadas por mais de dois anos. Usei tornozeleira eletrônica. Fui proibido de deixar minha casa em Brasília e de ir ao meu estado, o Espírito Santo, justamente o lugar onde estavam os eleitores de quem dependia o meu mandato.

Tudo isso sem que se apontasse um único indício fático de crime. Fui incluído em inquéritos que me ligavam ao 8 de janeiro, à desinformação contra as instituições democráticas e, por último, a uma suposta corrupção de menores. Esta última acusação foi a que mais me feriu.

Saio derrotado nas urnas, mas com o coração pleno da serenidade da missão cumprida. Denunciei quando era perigoso denunciar. Paguei o preço. E agora assisto, sem rancor, à colheita do que ajudei a plantar: a derrocada da política corrupta

Eu havia publicado, com a autorização expressa dos pais, o vídeo dos filhos do ativista Osvaldo Eustáquio, hoje exilado na Espanha, contando as violências que sofreram durante uma operação da Polícia Federal em sua casa, em 2024. Dar voz a crianças que choravam, com o consentimento de quem as criou, virou crime nas mãos de quem decidiu me calar.

Não estive sozinho no reconhecimento do que vivi. A União Interparlamentar (IPU), organismo com mais de um século de existência, ligado ao sistema da ONU e sediado na Suíça, reconheceu que eu era alvo de perseguição política. Não pedi esse reconhecimento por vaidade. Pedi porque, quando um parlamentar eleito é silenciado, quem perde a voz é o eleitor.

Depois, os fatos começaram a falar. Vieram a público as mensagens, os registros de encontros e os contratos que a Polícia Federal encontrou no celular de Daniel Vorcaro, o ex-banqueiro hoje preso pela maior fraude bancária da história do país, e que ligam o ministro e o escritório de sua esposa às ilegalidades em torno do Banco Master.

Não faço aqui o papel de juiz. Mas pergunto, com a calma de quem já sofreu o suficiente: com que autoridade moral alguém que mantinha tal proximidade com um banqueiro investigado conduziu, por anos, a minha vida e a de tantos brasileiros sob o peso de decisões sem fundamento?

E então chegou a data. Convenientemente, dois dias depois da divulgação do resultado das urnas, tornou-se público o arquivamento do inquérito que tanto prejuízo trouxe à minha reputação e ao meu mandato. Arquivado, segundo se informou, porque faltavam provas, as mesmas provas que sempre faltaram.

O arquivamento foi tardio e chegou depois do dano feito. Quem devolve a um homem os anos em que foi impedido de falar? Quem restitui a campanha que não pude fazer plenamente, o contato com meu povo que me foi negado? A decisão, chamemos como quisermos, chegou quando já não podia mais ser usada em minha defesa.

Os fatos, vistos em conjunto, convencem-me de uma coisa: havia, sim, uma perseguição política em curso. O objetivo era me calar e me retirar da cena política nacional. Em parte, conseguiram. Estou fora do Senado a partir de 2027.

Mas a vitória dos conspiradores foi apenas parcial. No mesmo domingo em que as urnas me deixaram de fora, o povo brasileiro enviou uma mensagem que nenhuma decisão monocrática consegue apagar. Elegeu uma bancada conservadora de direita para o Congresso Nacional, levou o PL à maior bancada do Senado e colocou Flávio Bolsonaro à frente de Lula no primeiro turno.

O Brasil acordou. Percebeu o descalabro e o atraso de mais de duas décadas de governos de esquerda, com seus escândalos, sua arrogância e sua crença de que o poder pertence a quem o ocupa, e não a quem o concede.

Saio derrotado nas urnas, mas com o coração pleno da serenidade da missão cumprida. Denunciei quando era perigoso denunciar. Paguei o preço. E agora assisto, sem rancor, à colheita do que ajudei a plantar: a derrocada da política corrupta que vinha arruinando o Brasil.

Deus abençoe o Espírito Santo e Deus abençoe o Brasil.

Marcos Do Val (Avante/ES) é senador da República.

Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

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