O conceito de produtividade, em economia, é definido como a relação entre os resultados obtidos e os recursos utilizados. Os recursos podem ser medidos em quantidade de pessoas que trabalham, em número de horas trabalhadas, em quantidade de materiais consumidos, em máquinas aplicadas etc. Os resultados são medidos em números de unidades produzidas (x carros, y bicicletas etc.).
Quanto maiores forem os resultados obtidos, ou quanto menor for a quantidade de recursos utilizados, maior a produtividade. É possível pensar o conceito de produtividade aplicado somente a um dos recursos utilizados na produção. Por exemplo, podemos calcular a produtividade média dos trabalhadores de uma empresa ou nação. Se na indústria A, 10 trabalhadores em 8 horas de trabalho produzem 50 bicicletas, então a produtividade da indústria A será 5 (50/10 = 5). Se na indústria B, 10 trabalhadores em 8 horas produzem 100 bicicletas, então a produtividade da indústria B seria 10 (100/10 = 10). Supondo que todas as bicicletas produzidas tenham idêntica qualidade, a indústria A irá à falência e não suportará a concorrência de B.
A produtividade das pessoas que trabalham em uma empresa é um problema de gestão (gestão de recursos humanos). No caso das empresas privadas, o mercado, vale dizer a concorrência, pune os trabalhadores de baixa produtividade com a falência da empresa e a perda do emprego. No serviço público, no qual não existe falência, nem concorrência, o que acontece? Se você respondeu "nada", errou completamente. Pode não acontecer nada com um ou alguns funcionários públicos improdutivos, que continuarão gozando de estabilidade no emprego (não podem ser demitidos) e aposentadoria integral (privilégio desse grupo negado aos demais trabalhadores). Mas os efeitos nocivos da baixa produtividade do setor público caem como um raio na cabeça de milhões de brasileiros crianças, adultos e aposentados.
Se com o mesmo número de funcionários e os mesmos recursos mais bem geridos podemos produzir o dobro de educação pública e gratuita, o dobro de assistência à saúde, o dobro de segurança etc., é fácil perceber o que acontece quando temos baixa produtividade no serviço público. O povo paga por essa baixa produtividade com falta de educação, saúde, segurança, justiça, etc.
A baixa produtividade do setor público é um crime contra nossas crianças, contra nossos aposentados, contra nossa cidadania. Quando temos centenas ou milhares de repartições públicas (municipais, estaduais ou federais) nas quais se todos os funcionários comparecessem não haveria cadeiras ou mesas para todos (como já mostrado pelo Globo Repórter), temos um grave exemplo de baixa produtividade do setor público.
Quando o cidadão é desrespeitado ou tem de esperar meses, às vezes anos, por uma licença ou documento porque a repartição pública é lenta e tem baixa produtividade, temos outro exemplo de obstrução ao desenvolvimento. Quando um único funcionário público falta ao serviço e não é punido, ou produz apenas a metade do que poderia produzir, todo o povo brasileiro é prejudicado e desrespeitado.
O serviço público é essencial para uma nação e existem milhares de funcionários públicos exemplares, produtivos, que merecem o respeito e o aplauso dos brasileiros: professores, médicos, juízes, policiais e tantos outros que são motivos de orgulho para a nação. É preciso não generalizar. Precisamos separar o joio do trigo, premiar os bons e punir os maus, em todos os níveis de governo federal, estadual e municipal. Esse é o caráter da revolução ou transformação necessária no Brasil do século XXI.
Oriovisto Guimarães é diretor-presidente do Grupo Positivo e reitor do UnicenP Centro Universitário Positivo.



