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“Prossumidores” de energia

Se você se preocupa com a conservação do planeta e deseja gerar a energia que você mesmo irá utilizar, poderá tornar-se um “prossumidor”

  • Marcos de Lacerda Pessoa
 | Robson Vilalba/Thapcom
Robson Vilalba/Thapcom
 
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Curitiba busca firmar-se no conceito de cidade inteligente (smart city, em inglês). Trata-se da utilização de inteligência para transformar a capital do Paraná numa cidade que ofereça, cada vez mais, bem-estar e melhor qualidade de vida a todos; uma cidade com sustentabilidade econômica e socioambiental e com serviços-padrão disponíveis aos que aqui vivem.

Nessa transformação, tecnologia e inovação ganham papel essencial. O Palácio 29 de Março, sede da prefeitura, terá energia sustentável por meio da instalação de painéis fotovoltaicos. O uso da energia solar e a troca da iluminação por tecnologia LED irão gerar uma economia anual em torno de R$ 220 mil. Além disso, utilizando energia solar, mais de 128 toneladas de CO2 serão neutralizadas anualmente, e a capacidade de geração de energia poderá chegar a 144 kWh.

O advento do “prossumidor” poderá dar um novo alento ao crescimento energético brasileiro e ainda poderá propiciar ao país novo posicionamento no mercado global

O setor público avança nesse modo de enfrentar a questão energética, mas o comercial e o residencial também irão evoluir, e muito rapidamente. Inteligência artificial, internet das coisas, blockchain, medidores inteligentes, microgeração distribuída, carro elétrico, indústria 4.0 e armazenamento de energia são avanços. Eles mudarão a maneira como as concessionárias de energia obterão receita, e a forma como a população lidará com a energia.

Com a introdução dessas e outras tecnologias novas e seu uso em projetos do setor energético, surge um novo conceito: o dos “prossumidores”. Esse termo curioso indica que alguém é ao mesmo tempo produtor e consumidor. E o que representa essa novidade no mundo do consumo de energia elétrica? Significa que poderemos gerar energia limpa em nossas próprias instalações para consumi-la, armazená-la em baterias ou mesmo passá-la ‒ com alguma vantagem ‒ para a rede da distribuidora de eletricidade que nos atende.

Leia também: O equilíbrio climático deve ser uma bandeira apartidária (artigo de André Ferretti e Carlos Rittl, publicado em 21 de outubro de 2018)

Leia também: Mudanças climáticas, um antídoto ao catastrofismo (artigo de Riccardo Cascioli, publicado em 6 de dezembro de 2018)

Se você se preocupa com a conservação do planeta e deseja gerar a energia que você mesmo irá utilizar, poderá tornar-se um “prossumidor”. Para isso, basta instalar painéis fotovoltaicos em sua casa. Agricultores poderão gerar energia elétrica a partir da biomassa. Cultivadores de cana poderão produzir geração térmica de energia por meio do bagaço da cana. Milhões de usuários se tornarão capazes de prover-se com energia própria. Assim, o consumidor deixará de ser uma figura passiva: com medidores inteligentes e painéis fotovoltaicos, ele passará a ganhar um novo poder no sistema, tornando-se minigerador.

O advento do “prossumidor” poderá dar um novo alento ao crescimento energético brasileiro e ainda poderá propiciar ao país novo posicionamento no mercado global. Passaríamos a ser o país da energia limpa. O país da emissão zero. O país que substitui toda a sua frota de veículos a combustão por veículos elétricos. O país com zero de poluição de CO2 nas ruas. É possível imaginarmos um futuro assim? Os consumidores brasileiros de energia se transformarão em “prossumidores”? A prefeitura de Curitiba já está fazendo esse avanço, assim como inúmeros consumidores comerciais e residenciais. Pode-se afirmar, hoje, que é somente uma questão de tempo!

Marcos de Lacerda Pessoa, mestre, Ph.D. e pós-doutor em Engenharia, é membro da diretoria do Centro de Letras do Paraná, autor de Sementeira de Inovação, organizador e editor de Pinceladas de Inovação, proprietário do centro de apoio à inovação futuri9.com e da aceleradora de projetos de energia Octane.

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