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Síntese 2

Quatro vertentes

Inúmeras cidades do Brasil, de médio e grande portes, têm se lançado em projetos de revitalização de suas áreas centrais. Algumas com mais, outras com menos sucesso. De modo geral, são quatro as tipologias de intervenção mais observadas:

1. Recuperação de grandes edifícios centrais para usos culturais, públicos ou empresariais;

2. Implementação de obras urbanísticas como vias de pedestres e espaços públicos abertos;

3. Recuperação de áreas ambientais degradadas como as margens de rios; e,

4. Mais recentemente, tentativas de se incrementar a oferta de habitação nessas áreas.

Em princípio, todas essas tipologias podem estar corretas; porém se diferenciam em termos de qualidade do projeto, qualidade da obra, apropriação por parte da população, não apenas do centro mas também de suas áreas mais distantes e transparência no uso dos recursos públicos.

No caso de Curitiba, para a primeira tipologia, não se pode dizer que ainda contamos com um grande acervo público construído porém sem uso. Vale lembrar de casos isolados como o do antigo Museu Paranaense, na Praça Generoso Marques, atualmente em obras para a instalação de um Centro Cultural. Em termos de edificações privadas, menores, esse acervo é mais significativo, como é o caso das imediações do Passeio Público e do Terminal Guadalupe, entre inúmeras outras áreas.

Para a segunda tipologia, há anos a prefeitura investe em obras urbanísticas, como a Rua das Flores, a Praça Osório e a atual Marechal Deodoro, por exemplo. Todas essas, porém, necessitam de constante manutenção e revitalização.

Para a terceira tipologia, o centro de Curitiba já não conta com potenciais para revitalização ambiental como é o caso de cidades com rios ainda não-canalizados e com potencial para projeto de amenidades urbanas, como parques lineares, por exemplo.

Por último, no caso de incentivo à habitação na área central, ainda há espaço para que se trabalhe nessa direção, aí incluindo a reforma de prédios hoje subutilizados. Uma proposta do setor privado de construção de condomínio vertical residencial na Praça Osório, uma vez implantada e comercializada, poderá indicar a viabilidade de tais iniciativas.

Todavia, o que importa é o conjunto de ações que exigem longo prazo para sua implantação e, mais ainda, para gerarem os efeitos desejados. O que importa saber, entretanto, é que a subutilização de um espaço com muita infra-estrutura, como é o caso do Centro de Curitiba, deve ser minimizada: se considerarmos o número de horas de uso do centro (maior que de outros bairros) e a sua densidade demográfica nos horários de pico, pode-se concluir que o cenário não é dos piores, indicando inclusive uma situação mais positiva que aquela observada em bairros estritamente residenciais.

De imediato, o que se sugere é uma ação continuada de pequenas medidas que possam garantir uma qualidade nos serviços e na infra-estrutura urbana ofertada. Com isso, o mercado pode responder por meio de investimentos diversos. A médio prazo, pode-se ter ações de maior visibilidade como as outras tipologias acima citadas.

Clovis Ultramari é arquiteto e professor da PUC/PR.

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