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Quem decide o que é uma boa escola? Não devia ser o Estado, nem burocratas anônimos

Todos deviam desfrutar da necessária liberdade educacional para atender aos próprios critérios individuais e familiares. (Foto: Imagem produzida por Copilot/Gazeta do Povo)

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Recentemente me hospedei num Airbnb pela primeira vez. Eu estava visitando minha filha mais velha em Milwaukee, onde ela estava fazendo uma bolsa de pesquisa de verão em matemática na Universidade de Wisconsin-Milwaukee. De modo geral, prefiro hotéis, mas não havia nenhum perto da universidade, então baixei o aplicativo do Airbnb e comecei a procurar um lugar para ficar. Analisei proximidade, preço e fotos para encontrar uma boa opção. Descartei alguns lugares por razões tangíveis, como a falta de ar-condicionado, mas também por razões intangíveis. Eu não sabia dizer exatamente por que não gostava de certos lugares, mas simplesmente não gostava. Eles só não eram para mim. À medida que afunilava minhas opções, examinei as avaliações e classificações dos clientes para ver o que os outros achavam dos meus finalistas. Algumas de suas avaliações de qualidade importavam para mim; outras não. Então, dei o salto e fiz a reserva. Era uma casa encantadora em uma ótima localização, e eu voltaria com o maior prazer.

Essa experiência me fez pensar mais sobre como fazemos escolhas em nossas vidas. Todos nós temos necessidades e preferências distintas. Alguns de nós gostam de camionetes; outros gostam de carros sedan. Alguns exigem o café da Dunkin’ (eu!); outros juram pelo Starbucks. Alguns preferem morar na cidade; outros, nos subúrbios. Alguns gostam de ler romances de mistério; outros preferem ficção científica. Alguns querem um tipo de experiência no Airbnb; outros preferem algo diferente. Somos todos diferentes, e essa diversidade é o que torna nossa sociedade tão dinâmica.

É também por isso que a descentralização é crucial. Nenhuma política imposta de cima para baixo poderia satisfazer todas as nossas necessidades e preferências individuais, e impor tal política geraria, compreensivelmente, descontentamento. Como escreve o economista Friedrich Hayek, vencedor do Prêmio Nobel, em O Caminho da Servidão: “Nossa liberdade de escolha em uma sociedade competitiva repousa no fato de que, se uma pessoa se recusa a satisfazer nossos desejos, podemos recorrer a outra.”

Na educação, felizmente estamos começando a ver a escolha, a variedade e a abundância que desfrutamos em todas as outras partes de nossas vidas onde a competição de mercado predomina. À medida que empreendedores da educação lançam novas escolas e espaços de aprendizagem, e à medida que a expansão dos programas de liberdade de escolha escolar torna esses ambientes de aprendizagem mais acessíveis, as famílias conseguem cada vez mais encontrar um ambiente educacional que satisfaça seus desejos, ou recorrer a outro quando necessário.

Assim como uma estadia no Airbnb, essa satisfação é altamente subjetiva. Para algumas famílias, uma escola que satisfaz seus desejos é aquela que prioriza o ensino acadêmico rigoroso e memorizado; para outras, pode ser uma escola onde seus filhos passam a maior parte do dia ao ar livre, brincando na natureza. Para muitas, provavelmente é algo intermediário.

Conheci uma mãe que recentemente matriculou seu filho em uma escola de ensino médio privada cujos pilares declarados são esportes, fé e estudos acadêmicos. Nessa ordem. Algumas famílias podem escolher escolas com esses três pilares em uma ordem diferente, enquanto outras escolherão pilares completamente diferentes. Em uma sociedade livre, a liberdade de escolha é primordial.

Todos nós teremos nossos desejos educacionais satisfeitos de inúmeras maneiras, e é por isso que devemos ter cautela quando políticos e formuladores de políticas públicas buscam impor requisitos padronizados de prestação de contas ou outras métricas verticais de “qualidade” educacional, como o desempenho dos alunos em testes padronizados. Isso vale tanto para escolas públicas quanto para escolas privadas, incluindo as emergentes e as que participam de programas de liberdade de escolha escolar.

Algumas famílias valorizam as notas de testes padronizados — a ferramenta frequentemente alardeada pelos planejadores centrais da educação — ao escolher escolas, mas muitas não. Pesquisas do EdChoice (ONG educacional americana) mostram que, de 14 razões pelas quais os pais escolheram a escola atual de seus filhos (incluindo públicas, privadas e homeschooling), as notas dos testes ficaram perto do fim das prioridades dos pais. Outros fatores — como proximidade e socialização com colegas para os pais de escolas públicas, segurança e qualidade acadêmica para pais de escolas privadas e homeschooling — foram citados como os principais motivos para escolher uma determinada escola.

Como o economista Thomas Sowell nos lembra em Knowledge and Decisions: “A questão mais fundamental não é o que é melhor, mas quem deve decidir o que é melhor.” Na educação, essa decisão cabe aos pais, não aos formuladores de políticas. Olhe para as suas preferências reveladas — onde os pais optam por matricular seus filhos quando recebem opções — como a métrica primária para a qualidade educacional e prestação de contas. Quais escolas e espaços de aprendizagem estão crescendo e quais estão encolhendo? Quais modelos educacionais estão sendo cada vez mais procurados e quais estão estagnados?

Em Massachusetts, por exemplo, pesquisadores da Universidade de Boston descobriram que as matrículas caíram 2% nas escolas públicas tradicionais, enquanto subiram 14% nas escolas privadas e impressionantes 45% no ensino domiciliar (homeschooling), em comparação com as taxas pré-pandemia. Isso em um estado sem nenhum programa de liberdade de escolha para escolas privadas. Na Flórida, favorável à liberdade de escolha, onde todos os alunos da educação básica têm direito a uma conta de poupança educacional (ESA) de cerca de US$ 8.000 por ano, mais da metade dos alunos frequenta uma escola diferente daquela atribuída ao seu distrito, com escolas privadas e homeschooling registrando aumentos particularmente expressivos.

O caminho em direção a uma maior liberdade educacional para as famílias está se ampliando, apesar das forças centralizadoras e padronizadoras sempre presentes — inclusive por parte de alguns defensores de políticas de escolha escolar que acham que sabem o que faz uma escola ser “boa”. Para manter essas forças afastadas, devemos incentivar o empreendedorismo e a concorrência para expandir as opções educacionais e aprimorar a escolha do consumidor. Devemos favorecer a tomada de decisão descentralizada em detrimento do planejamento centralizado. Devemos aceitar que algumas escolas fecharão porque não satisfazem os desejos de seus consumidores, e reconhecer isso como um sinal de um mercado educacional saudável. Devemos reconhecer que a “qualidade” escolar está nos olhos do consumidor, e cada um de nós a definirá de forma diferente com base em nossas próprias necessidades e preferências únicas.

Por fim, para destravar uma maior liberdade educacional e o florescimento individual, deveríamos, como exortou o fundador da Foundation for Economic Education, Leonard Read, ter “fé nas pessoas livres”. Devemos confiar que os pais — e não os políticos ou especialistas — sabem o que é melhor para a educação de seus filhos e devem ter a liberdade de escolher. “A liberdade é impossível sem essa fé”, disse Read.

Kerry McDonald é especialista em educação e diretora do Laboratório de Empreendedorismo Educacional do Foundation for Economic Education (FEE), onde também apresenta o podcast LiberatED. É pesquisadora associada de importantes think tanks liberais norte-americanos — como o Cato Institute e a State Policy Network

©2026 Foundation for Economic Education. Publicado com permissão. Original em inglês: Who Decides What Makes A “Good” School?

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