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Vivemos uma época marcada por discursos grandiosos e compromissos rasos. Muitos dizem querer emprego, mas rejeitam o trabalho. Falam em empreendedorismo, mas não querem enfrentar problemas reais da sociedade, apenas oportunidades convenientes.
Defendem a inovação, desde que não precisem atravessar o processo, lidar com o erro, o esforço e a frustração. Celebram a tecnologia, mas ignoram o debate ético que deveria acompanhá-la. Pregam diversidade, mas descartam profissionais acima dos 50 anos, como se experiência fosse um defeito.
Querem enriquecer rapidamente, sem educação financeira, sem disciplina e sem responsabilidade. Falam em universidade empreendedora, mas sem compreender gestão, risco, sustentabilidade econômica ou prestação de contas. Defendem a educação, mas desprezam valores básicos de civilidade, respeito e formação de caráter.
Muitos desejam ser empresários, mas fogem da responsabilidade social inerente a quem gera impacto econômico. Querem vender, mas sem colocar a própria pele em jogo. Discorrem sobre empatia, mas se recusam a ser exemplo no cotidiano.
Querem ensinar, mas não aceitam aprender, especialmente quando o aprendizado exige rever crenças ou abandonar privilégios
O padrão se repete: querem os símbolos, os títulos e os resultados, mas não o caminho que os sustenta. Querem o status sem o sacrifício, o reconhecimento sem o mérito, a transformação sem a renúncia.
No fim, não falta desejo. Falta disposição para assumir as consequências das próprias escolhas. Porque querer, todos querem. O que poucos aceitam é o peso da responsabilidade que acompanha aquilo que se diz querer.
Amanda Eloi é administradora de empresas, fundadora e sócia-diretora da Ciclo Empreendedor Universitário CEU, consultora de projetos e pesquisadora da Quádrupla Hélice.



