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É interessante observar como as pessoas lidam com o dinheiro. Cada um tem um jeito peculiar de agir. Uns buscam usar só a emoção; outros gastam preponderantemente com a razão. A imensa maioria está no meio do caminho: ora prevalece a razão, ora prevalece a emoção. E o pessoal de marketing sabe (muito bem, por sinal) disso.

Conversando com vendedores de veículos, rapidamente eles “entregam o jogo” ao afirmar que uma venda de carro novo é preponderantemente fechada com base nas emoções. Muito bem treinados, eles sabem bem o poder de certas frases na cabeça dos compradores: “Você merece isso”, “Sua família vai adorar”, “A prestação cabe facilmente no seu bolso”, etc. A emoção aflora com força e a venda é feita.

Quando for comprar, reflita melhor sobre os prós e contras da aquisição daquele produto ou serviço, e fique atento à postura do vendedor. No geral, ele está bem preparado e sabe de sequências de frases que podem abrir as portas do bolso dos mais desavisados. O ambiente da loja já está todo maquiado para influenciar você a fechar uma compra.

Ou o leitor acha que aquele monte de papel picado no chão reforçando a “confiabilidade” de uma liquidação, a música agradável e com uma sensação muito positiva aumentando levemente a sua ansiedade, as cores etc. estão ali só por coincidência? Claro que não! Tudo foi estudado previamente e preparado para influenciar a sua percepção e fazê-lo comprar sem utilizar tanto a razão, mas quase somente a emoção.

O exemplo dos vendedores de veículos é gritante, mas é tudo muito fácil de perceber no resto da sociedade (quando se está atento a isso). Repare na posição dos produtos nas gôndolas dos supermercados – eles estão colocados de uma forma que incentivam o leitor a consumir mais. Já notou como o tamanho do carrinho padrão do supermercado vem crescendo de forma gritante? Isso acontece porque existe uma predisposição do consumidor a comprar até a borda do carrinho. Carrinho maior, compra maior.

Seria uma inocência dizer para consumirmos tudo com 100% de razão. Acho que nem isso é possível, de fato. Razão e emoção fazem parte de nossa vida de forma integrada. Mas fique atento e proteja o seu dinheiro! Somos bombardeados diariamente centenas de vezes com estímulos previamente (e muito bem) preparados pelas estratégias de marketing para que se consuma mais e mais. Eles executam bem o trabalho deles e nós, consumidores, fazemos nossa parte quando não caímos em técnicas conhecidas, que podem nos levar ao tão temido endividamento. Depois do mal causado, não há estratégia de marketing que ajude. O prejuízo, então, é todo seu.

Lélio Braga Calhau é mestre em Direito do Estado e Cidadania pela UFG-RJ e promotor de Justiça de defesa do consumidor do Ministério Público de Minas Gerais.
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