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Segundo turno ditará o rumo do Brasil e do nosso futuro

propostas para a área da segurança pública de Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT)
A escolha do voto no domingo (25) também é uma escolha por projetos de segurança pública para o país. (Foto: Imagem criada com ChatGPT com fotos de Beto Barata/PL e Ricardo Stuckert/PR)

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Contrariando as pesquisas de intenção de voto, Flávio Bolsonaro venceu o primeiro turno da eleição presidencial com vantagem expressiva sobre Lula. Com o apoio declarado de Ronaldo Caiado e Augusto Cury, além da adesão de governadores eleitos, o candidato do PL desponta como favorito para assumir o Planalto em 2027. Favoritismo, todavia, não é certeza.

A derrota provisória não destruiu a estrutura do PT nem sua capilaridade nacional, tampouco desmantelou os movimentos sociais que, mesmo sem o vigor de outrora, mantêm militância ativa e engajada. Como o pós-Lula é uma incógnita à esquerda, o PT irá com o pé no fundo, em especial nesta última semana de campanha. Aliás, diante do desempenho errático de Lula no debate, as ações e reações tendem a ganhar acidez e calor nos próximos dias.

O que está em jogo transcende Flávio e o projeto familiar: é a chance de a direita pavimentar um longo ciclo de governos comprometidos com o livre mercado, a legalidade e a elevação institucional da República

O jogo de Lula é conhecido: retórica de luta de classes, viés estatizante e um receituário econômico do atraso. Após mais de 17 anos no Planalto, o PT já não pode terceirizar levianamente à elite nacional a culpa pela desigualdade e pelas mazelas sociais. Os números falam por si: a dívida bruta chegou a 82,9% do PIB em agosto, ultrapassando a impressionante marca de R$ 11 trilhões; o imposto oculto da inflação corrói mensalmente a renda dos brasileiros; a Selic está em 13,75%; no desgoverno estabelecido, faltam recursos para a saúde, a educação e a infraestrutura. Somem-se a corrupção, a farra nas estatais e a falta de criatividade nas políticas sociais: nada mais é preciso dizer sobre o anacronismo ideológico e governamental petista.

Flávio, por sua vez, terá um caminho desafiador. Sem cortinas, o bolsonarismo traduz a inegável força política da realidade nacional; as urnas o demonstram com eloquência. Isso não dispensa a direita de amadurecer: base partidária coesa, princípios claros, ação coordenada, menos movimentos aleatórios e impulsos intuitivos, mais método e pensamento estratégico multidimensional. Ou seja, o processo de maturidade política da direita não se fará da noite para o dia.

Adicionalmente, caberá a Flávio conter o bolsonarismo mais exaltado. A combatividade tem lugar no Parlamento; na arte de governar, gera atritos e desgastes prematuros. Não se trata de abandonar bandeiras de campanha, mas de ter tato e timing político. Por exemplo, o impeachment de ministros do Supremo, instituto previsto em lei, é tema denso: se impulsionado, tende a deflagrar acesos embates institucionais, com danos recíprocos. Sobre o ponto, há diversas pautas-bomba fiscais no STF, cujo pavio pode ser aceso em silêncio para estourar no colo do Planalto. E, sem dinheiro no caixa, não há boa vontade que alivie as dores do povo.

Em um país economicamente frágil e instável, tampouco se governa atacando setores empresariais relevantes. Distorções estruturais, como renúncias fiscais injustificáveis, devem ser enfrentadas com assertividade calculada. Mas a oportunidade de unir a elite econômica em um projeto sério de inserção do Brasil nos grandes jogos globais de mercado não pode, mais uma vez, ser desperdiçada. Cabe ao presidente da República ser líder integrador e comprometido com o diálogo, sobretudo em um país de tantas disparidades e carências severas.

O que está em jogo transcende Flávio e o projeto familiar: é a chance de a direita pavimentar um longo ciclo de governos comprometidos com o livre mercado, a legalidade e a elevação institucional da República. Se materializada, além de mudar o país para melhor, teremos um comparativo real e verificável com os governos do PT e com a memória política de Lula. No atual cenário decisivo, a circunstância sente o faro e ambiciona a história. Talvez seja a eleição mais decisiva desde que Tancredo reacendeu a esperança democrática no Brasil.

O segundo turno ditará o rumo do país e do nosso futuro. A palavra final caberá à autoridade suprema da democracia: o povo brasileiro. Vamos às urnas!

Sebastião Ventura Pereira da Paixão Jr., advogado, é chairman do Instituto Millenium.

Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

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