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Li com interesse o artigo O destino da UFGD” de Gicelma Fonseca Chacarosqui e Arquimedes Gasparotto Júnior, analisando a situação da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) e apresentando a sua candidatura ao posto máximo da instituição. Gostei do muito que li. Tenho apreço pela UFGD e considero a Educação, com “E” maiúsculo, um ativo decisivo para todos nós.
Participo há tempos do cotidiano da UFGD. Vi essa universidade nascer e acompanhei o seu crescimento nestes anos todos. Tenho filho e netos formados nela e convivo com muita gente também formada ali. No princípio, a UFGD era a Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS). A separação ocorreu em 2005–2006, no bojo de expansão universitária do governo Lula.
A UFMS cumpria formidavelmente o seu papel na região. Mas o projeto da UFGD prometia algo a mais. Apostei na UFGD. Mas não tardei a me decepcionar. Tão logo instalada, um lulopetismo alucinado foi loteando a instituição, transformando-a em reduto sindical e partidário que, pouco a pouco, foi deformando e desvirtuando a sua razão universitária de existir.
Na época, o PT era hegemônico no município de Dourados, no estado do Mato Grosso do Sul e no governo federal. A UFGD nasceu nesse ambiente. Nasceu, portanto, como um projeto lulopetista travestido de expansão universitária. O tempo passou. Lula deixou o poder. Dilma assumiu e fez o que fez: o mais ineficaz governo da história humana recente, tragando o país para crises sem fim que culminariam no impeachment de 2016.
A UFGD deixou de ser a principal universidade pública do Mato Grosso do Sul, perdeu relevância entre as universidades do Centro-Oeste, deixou de figurar entre as principais instituições de ensino superior federal do país e declinou em praticamente todos os rankings
Nesse entremeio, em 2014–2015, a fase de instalação da UFGD cumpriu o seu curso. Os pioneiros – bem ou mal – terminaram a sua tarefa e deixaram a instituição funcionando. Mas, na hora de deixar o poder e passar a reitoria a outros, eles não quiseram. E, como de costume, tumultuaram tudo.
Sendo preciso, eles perderam as eleições para a reitoria em 2015, não reconheceram a derrota, declararam guerra aos vencedores e sabotaram toda a nova gestão da UFGD de 2015 a 2019. Em 2019, ano de novas eleições, eles voltaram a tumultuar. Eles conturbaram tanto a ponto de inviabilizar o pleito.
Como consequência, ocorreu uma judicialização do processo que induziu o presidente Bolsonaro a negar a lista tríplice enviada a Brasília e instaurar uma intervenção na UFGD. Culpa desses lulopetistas, e de ninguém mais.
Assim, desde 2019, a UFGD vive sob intervenção. De 2019 a 2022, essa intervenção foi composta por reitores pro tempore, alheios ao processo eleitoral de 2019. A partir de 2022, a intervenção ganhou um caráter brando. Virou uma intervenção branca, na qual o terceiro colocado da consulta de 2019 foi nomeado reitor.
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Esse novo reitor é um lulopetista. Mas um lulopetista manso e frequentável. Um típico apparatchik. De estilo yes-man e totalmente desprovido de qualquer physique du rôle para a função. Por decência, ele deveria ter renunciado e convocado novas eleições. Mas não o fez e preferiu acreditar na ilusão de que era totalmente legítimo simplesmente por ter sido nomeado.
Essa ilusão, pior que tudo, levou-o a acreditar-se o maestro. E, nessa realidade paralela, ele vem guiando a UFGD desde 2022 até aqui. O resultado dessa temeridade foi a inequívoca deterioração da UFGD. Vendo-se com calma, nesse período, de 2022 para cá, a UFGD deixou de ser a principal universidade pública do Mato Grosso do Sul, perdeu relevância entre as universidades do Centro-Oeste, deixou de figurar entre as principais instituições de ensino superior federal do país e declinou em praticamente todos os rankings de aferição universitária.
Não dá para tapar o sol com a peneira. A UFGD entrou em queda livre. As paralisações e greves viraram constantes. A redução acentuada de estudantes tornou-se crônica. E a gestão lulopetista simplesmente dá de ombros.
O declínio da UFGD, contudo, é um fato. Um fato triste, que me entorpece e reforça a minha convicção de que o lulopetismo precisa ser extirpado da UFGD. Nesse propósito, encontrei um facho de esperança na candidatura de Gicelma Chacarosqui e Arquimedes Gasparotto. Eles são jovens, apartidários, cultos e determinados. Sabem que a UFGD precisa de mudança, querem fazer essa mudança e têm coragem para tanto. Consigno-lhes, assim, os meus votos de muito boa sorte.
Adroaldo Rockenbach Medeiros é advogado, agrônomo e pecuarista no Mato Grosso do Sul.







