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Temperatura alta para destruição criativa e percepção crítica sobre inovação

Em meio aos contrastes da mundialização, a política econômica brasileira demanda uma reengenharia a fim de destravar o crescimento. No esforço de reajustar as contas públicas, o receituário composto pelo aumento da tributação sobre combustíveis, importados e operações de crédito objetiva reconquistar a confiança para alavancar o investimento. Na contramão, observa-se forte retração da demanda doméstica.

Em meio a essa mediação entre cortar despesas e acelerar o crescimento, o empresário não pode olvidar que se vive no ambiente de negócios mais avançado tecnologicamente e economicamente complexo da história.

Há inúmeras empresas que adquirem novas tecnologias e ainda assim não conseguem inovar, apesar do substancial aporte de recursos

No gargalo para o desenvolvimento, a máquina capitalista é impulsionada pelo lançamento de produtos e serviços competitivos, exploração e criação de novos mercados e adoção de plantas industriais e estruturas organizacionais mais enxutas e eficientes.

Neste contexto, “inovação” parece ser um ingrediente óbvio, essencial na estratégia de sobrevivência e expansão do negócio. Contudo, há inúmeras empresas que adquirem novas tecnologias e ainda assim não conseguem inovar, apesar do substancial aporte de recursos. Como não cometer o erro de igualar qualquer tecnologia ou mudança a inovação?

Convém educar a mente para assimilar o conceito de inovação. A inovação estimula e impulsiona tanto os ciclos econômicos como a qualidade de vida das populações. Importantes desafios nas áreas energética, de logística, saúde, educação, geopolítica etc. envolvem questões afetas ao tema.

Segundo o Manual de Oslo, as inovações podem se aplicar a produtos (bens ou serviços), a processos, marketing e aos métodos organizacionais. Os desafios também são diferentes em escala. A “inovação de ponta” é disruptiva porque cria algo novo, a exemplo do transistor e do cartão de crédito. A inovação incremental ou de sustentação consiste no aprimoramento de um produto ou processo existente, mantendo-se a mesma tecnologia de base. Ao seu turno, a inovação ortogonal consiste na combinação de inovações já disponíveis para uso de um modo inédito. A criação do cartão de débito foi uma inovação ortogonal que utilizou a mesma tecnologia do cartão de crédito.

Enquanto a inovação incremental é empurrada pelo consumidor e prolonga o mercado, as inovações radicais têm o potencial de criar novos mercados e ciclos econômicos. No caso do Brasil, é preciso destacar que, no geral e no curto prazo, o investimento é insuficiente para o fomento de inovações disruptivas. Do mesmo modo que há um déficit comercial ou um déficit orçamentário, verifica-se um déficit nacional de inovação.

Sob a influência de uma perspectiva schumpeteriana, o senso de oportunidade no atual contexto econômico (de “destruição criativa”) demanda um comportamento empreendedor, capaz de criar condições favoráveis de mudança, inclusive com a geração de emprego e renda para a população.

Não há diferencial competitivo senão por meio do que a organização tem de conhecimento, como o utiliza e o apreende. Pela segurança e continuidade do negócio, gestores que desejam ganhar escala por meio de vantagens competitivas sustentáveis precisam implementar práticas estruturadas de gestão da inovação, inclusive com o apoio de consultoria especializada, sob pena de se colher os efeitos deletérios do imobilismo em tempos de austeridade.

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