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Um país sem visão estratégica

Precisamos resgatar os conceitos de seriedade e credibilidade institucional, fazendo das eleições de outubro um fator determinante em nossa trajetória histórica

  • PorSebastião Ventura Pereira da Paixão Jr.
  • 18/07/2018 00:01
 | Valter Campanato/Agência Brasil
| Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Somos um país desencontrado à espera de um projeto virtuoso de desenvolvimento. O problema é que não privilegiamos estratégias de longo prazo; temos muita pressa e pouca persistência. As urgências do hoje condenam o amanhã. Entre tantas necessidades intransferíveis, apelamos para táticas de sobrevivência, e não a ações planejadas. Infelizmente, o improviso governa o Brasil. E assim, aos trancos e barrancos, vamos tapando os buracos do dia a dia com a ingenuidade de um otimismo infantil.

O fato é que precisamos amadurecer como nação.

Enquanto seguimos na adolescência da vida, o mundo vai se tornando cada vez mais complexo, exigente e desafiador. Nosso amadorismo é uma divertida sala de brinquedos nos sofisticados jogos do poder global. Não somos levados a sério porque não temos líderes capazes de nos representar com protagonismo. Falta-nos aquilo que os mais antigos chamavam de “homens de Estado”, personalidades dotadas de visão de mundo e um olhar crítico sobre a realidade social, criando – por meio de exercícios da razão superior – alternativas possíveis a um futuro promissor.

No fim do dia, apenas temos um capitalismo de empreitada sem livre concorrência

Somos um país atrasado porque fazemos escolhas erradas. Nossas decisões lineares são tortas; não conseguimos resolver o básico e agravamos problemas complexos. Logo, temos muito que mudar. Objetivamente, temos uma economia fechada, comandada por poderosos monopólios empresariais e oligopólios setoriais. Tal concentração econômica não caiu do céu; são décadas de hábil consolidação de espaços de influência através de laços – algumas vezes espúrios – com o poder político. No fim do dia, apenas temos um capitalismo de empreitada sem livre concorrência.

A evidência faz notar, todavia, sintomas palpáveis de esgotamento do atual sistema de poder, embora sem uma nova estrutura hegemônica dominante. Tal indefinição abre o jogo das possibilidades. Em um momento de profunda reorganização sistêmica global, torna-se imperativo o estabelecimento de uma firme estratégia de inserção do Brasil na nova ordem mundial. Por enquanto, o continente asiático surge como principal força de atração, ensejando calculados movimentos dos Estados Unidos com vistas a neutralizar o ímpeto expansionista da China. Aliás, o início da aproximação com a Coreia do Norte, além de diminuir as tensões bélicas globais, possibilita o acesso a uma posição estratégica junto à importante faixa de fronteira chinesa.

Nosso esforço deve visar o melhor equacionamento dos fluxos de capitais externos, tornando-nos uma alternativa importante ao delicado equilíbrio geopolítico mundial. Como bem adverte a inteligência superior de Henry Kissinger, “toda geração requer uma visão antes de construir sua própria realidade”, impondo a cada ciclo geracional “fazer um novo esforço adaptado às suas próprias condições”. O frenético dinamismo das relações contemporâneas impõe um constante processo de reavaliações de premissas e adequações de estratégias. As mudanças de conjuntura serão cada vez mais rápidas e inesperadas, tornando cogente o surgir de fórmulas arejadas de poder que sejam aptas a reagir com rapidez e precisão às fluidas equações globais.

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No plano interno, precisaremos resgatar os conceitos de seriedade e credibilidade institucional, fazendo das eleições de outubro um fator determinante em nossa trajetória histórica. Se o resultado das urnas apontar para o lado errado, adentraremos numa espiral aterradora de explosão das contas públicas e intensa fuga de capitais externos. O paradoxo é que mesmo uma sinalização eleitoral promissora não significará dias amenos para nosso país. O Brasil tem sérios e fundos problemas estruturais, cuja solução vai além do processo eleitoral para exigir um funcionamento coordenado das forças políticas governamentais à luz de propostas factíveis e economicamente viáveis.

Sim, o amanhã pode ser absolutamente melhor que o ontem. Acontece que êxitos não caem do céu; são meticulosamente trabalhados. Enquanto a descomprometida letargia do hoje prevalecer, seguiremos dependendo de circunstâncias de sorte que, no curso da história, têm-nos feito menores que aquilo que realmente somos. Precisamos, portanto, melhorar a técnica de nossas decisões políticas, incluindo mais inteligência estratégica nos núcleos de pensamento do poder. A compreensão do mundo atual requer profundidade intelectual, e não improvisações rasteiras. O diagnóstico está dado: inconfiáveis governos amadores, como o brasileiro, serão varridos do tabuleiro geopolítico do século 21. Para entrarmos na festa, teremos de pagar o preço do ingresso. Ou seguiremos acreditando que o almoço é grátis?

Sebastião Ventura Pereira da Paixão Jr., advogado, é vice-presidente da Federasul e conselheiro do Instituto Millenium.
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