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Enquanto sete estados brasileiros enfrentam déficits profundos de caixa que ultrapassam a marca negativa de R$ 10 bilhões, outros vinte estados fazem o básico dever de casa de manter as contas em dia. O Paraná é exemplo disso. O estado consolida a posição mais confortável do país e tem disponibilidade de caixa, sem vinculações em despesas, de R$ 10,5 bilhões. Com esse volume, supera outras grandes economias, como São Paulo, que aparece em segundo lugar com R$ 5,9 bilhões, Paraíba, com R$ 4 bilhões, e Santa Catarina, com R$ 3,9 bilhões.
Os dados do Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro (Siconfi), compilados pela Secretaria Estadual da Fazenda do Paraná apresentam também outro dado importante. Além da liderança nacional em disponibilidade de caixa, o Paraná tem a 3ª menor dívida consolidada líquida do País, com um saldo de R$ 3,5 bilhões negativo. Apenas o Espírito Santo (-R$ 14,7 bilhões) e o Mato Grosso (- R$ 5,6 bilhões milhões) possuem dívidas menores, mas têm disponibilidade de caixa menores que o Paraná. Isso quer dizer que o Paraná pode quitar todas as dívidas, mesmo herdadas, e ainda sobrariam R$ 3,5 bilhões.
É necessário manter o controle das finanças públicas e pensar no presente, mas com olhos para o futuro. Os estados não podem gastar o que não tem. É necessário usar a inteligência financeira para transformar rendimentos em asfalto, pontes e escolas
A “folga” financeira de alguns estados demonstra a responsabilidade com os compromissos fiscais. O Paraná acumulou o maior caixa livre do país nos últimos anos. Só de remuneração de depósitos e aplicações financeiras foram R$ 5,2 bilhões em 2025, enquanto as despesas financeiras ficaram na ordem de R$ 2,3 bilhões. A diferença entre as receitas e despesas financeiras é de R$ 2,8 bilhões, que não são contabilizados na receita primária.
O modelo paranaense inverte a lógica da gestão pública tradicional e demonstra uma construção sólida e eficaz de uma gestão de inteligência financeira para o país. O resultado é uma soberania fiscal e o controle total sobre suas políticas públicas.
Com uma estratégia de utilizar o rendimento de suas aplicações financeira para turbinar obras de infraestrutura, o estado demonstrou uma alocação eficiente de suas aplicações e mesmo com um resultado primário negativo, isso não representou uma deterioração da posição fiscal, em razão das suas receitas financeiras e da ampliação expressiva dos investimentos estaduais como política pública.
Em 2025, os investimentos pagos - orçamentários e restos a pagar - alcançaram R$ 8,0 bilhões, valor R$ 2,7 bilhões superior ao ano anterior. O investimento recorde em 2025 funciona como motor para o crescimento a longo prazo, financiado pela competência na gestão do caixa acumulado nos últimos anos.
Com essa margem o Paraná tem conseguido expandir os investimentos e quebrar recordes. A prova disso é que o estado reuniu o maior volume de investimentos para um mês de janeiro de toda a sua história em 2026. Foram mais de R$ 776 milhões empenhados já no primeiro mês do ano, valor 181% maior do que o recorde anterior, registrado em 2025.
Esse também é um dos motivos que fez com que o Paraná não aderisse ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), do governo federal. Apenas cinco estados não entraram no programa (Paraná, Mato Grosso, Pará, Distrito Federal e Santa Catarina). O estado tem Receita Corrente Líquida superior a R$ 71 bilhões e possui fôlego financeiro para honrar compromissos sem se sujeitar às contrapartidas ou amarras de programas federais.
É necessário manter o controle das finanças públicas e pensar no presente, mas com olhos para o futuro. Os estados não podem gastar o que não tem. É necessário usar a inteligência financeira para transformar rendimentos em asfalto, pontes e escolas. O Paraná faz este serviço e devolve o valor contribuído em forma de investimento em infraestrutura, saúde e educação.
Norberto Ortigara é secretário estadual da Fazenda do Paraná.
Conteúdo editado por: Jocelaine Santos







