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Eduardo Bolsonaro

Uma política externa à altura do Brasil

O Brasil que o mundo quer de volta é um Brasil estável, responsável e comprometido. Um Brasil que honra seus compromissos, que trata seus parceiros com respeito, e que entende que a diplomacia é um instrumento de desenvolvimento e não um palanque para discursos ideológicos (Foto: Imagem criada utilizando Open AI/Gazeta do Povo)

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Tive, nas últimas semanas, a oportunidade de acompanhar meu irmão, o senador Flávio Bolsonaro, em uma série de compromissos internacionais que nos levou a Israel, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, França e Estados Unidos. Foi uma agenda intensa, repleta de reuniões com chefes de Estado, lideranças políticas, empresariais e diplomáticas, carregada de significados que vão muito além do protocolo. O que vimos e ouvimos nesses países confirma um diagnóstico claro e convergente que muitos brasileiros já sabem, mas que o atual governo se recusa a admitir: o Brasil está perdendo espaço no mundo, e esse espaço precisa ser recuperado com urgência.

Com variações mínimas, interlocutores de diferentes culturas, com interesses distintos e perspectivas variadas, convergiam para um mesmo ponto: o Brasil continua sendo visto como um gigante com enorme potencial, mas hoje carece de previsibilidade e direção estratégica. O mundo reconhece nossas dimensões continentais, nossa abundância de recursos naturais, nossa capacidade agrícola, energética e mineral, nossa juventude empreendedora e nossa singular posição geopolítica privilegiada no Hemisfério Sul.

O Brasil que o mundo quer de volta é um Brasil estável, responsável e comprometido. Um Brasil que honra seus compromissos, que trata seus parceiros com respeito, e que entende que a diplomacia é um instrumento de desenvolvimento e não um palanque para discursos ideológicos

O que causa perplexidade é a dificuldade recorrente do país em transformar essas vantagens estruturais em influência concreta, investimentos consistentes e protagonismo duradouro, desperdiçando essas vantagens ao subordinar sua política externa a uma agenda ideológica que privilegia ditadores, enfraquece alianças estratégicas e afasta parceiros que poderiam contribuir genuinamente para o desenvolvimento brasileiro.

Não é preciso ser especialista em relações internacionais para perceber os danos que o governo Lula tem causado à imagem do Brasil no exterior. A aproximação com regimes autoritários, o silêncio conivente diante de violações de direitos humanos cometidas por aliados ideológicos, a hostilidade velada – e às vezes não tão velada – a parceiros de longuíssima data do país, e a instrumentalização da diplomacia para fins partidários constituem o que só se pode chamar de delinquência diplomática.

A percepção externa é menos ideológica do que prática: parceiros querem saber qual é a posição do Brasil em temas estratégicos, quais são suas prioridades de longo prazo e quais compromissos são permanentes – e não circunstanciais. Quando essa clareza falta, a confiança diminui. E sem confiança não há grandes acordos, não há investimentos estruturantes e não há liderança regional. O resultado é um país que perdeu credibilidade, que não é levado a sério como parceiro confiável e que vê sua influência minguando exatamente quando o contexto global criaria oportunidades únicas para o Brasil.

O cenário internacional atual oferece oportunidades raras. A reorganização das cadeias globais de valor, a busca por segurança alimentar e energética, a transição tecnológica e as tensões geopolíticas entre grandes potências abrem espaço para países com estabilidade institucional, capacidade produtiva e diplomacia consistente. O Brasil, em tese, poderia reunir todas essas condições. Mas falta direção e capacidade.

Esse padrão não é novidade. O lulopetismo, desde seus primeiros governos, sempre encarou a política externa não como um instrumento a serviço do Brasil, mas como um apêndice da militância político-partidária. Após 23 anos de erosão sistemática, interrompidos apenas pelos quatro anos do governo do presidente Jair Bolsonaro (2019-2022), o capital diplomático do Brasil está praticamente esgotado, e os custos da irresponsabilidade são sentidos em acordos que não se fecham, em investimentos que não chegam e em parcerias estratégicas que se tornam cada vez mais distantes.

O que encontramos nos países visitados foi, ao mesmo tempo, decepcionante e encorajador. Decepcionante porque a percepção negativa sobre a condução da política externa brasileira é clara e está consolidada nos círculos que mais importam. Encorajador porque a disposição para trabalhar por um Brasil diferente, com política externa pragmática, voltada aos interesses de Estado que construirão os fundamentos do desenvolvimento nacional, com ênfase especial ao combate contra o crime organizado e com a seriedade nas relações internacionais, é igualmente clara e genuína. Há uma demanda real por um Brasil à altura de seu potencial – e essa demanda não vem apenas dos parceiros tradicionais do mundo ocidental, mas também de países do Oriente Médio que buscam relações confiáveis e de longo prazo e que muito podem aportar ao Brasil.

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Israel, por exemplo, é um parceiro estratégico de enorme relevância para o Brasil em áreas como tecnologia, agronegócio, defesa e inovação, entre outros. Os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein representam portas de entrada para um mercado de elevadíssimo poder aquisitivo, com apetite real por produtos e serviços brasileiros, e constituem hubs financeiros e logísticos de importância crescente na economia global, com capacidade de aportar capital em infraestrutura e energia exatamente nos setores em que o Brasil mais precisa. A França, parceiro histórico, é uma ponte essencial para o aprofundamento das relações com a Europa e para acordos que podem impulsionar a competitividade da indústria e do agronegócio brasileiros, sobretudo no que diz respeito à eventual vigência eficaz do Acordo de Livre Comércio Mercosul-União Europeia, que tem justamente na França seu principal opositor. E os Estados Unidos, maior economia do planeta e parceiro insubstituível em termos comerciais, tecnológicos e de segurança, representam uma relação que o Brasil simplesmente não pode se dar ao luxo de negligenciar, muito menos de antagonizar, como tem sido a tônica do atual governo.

Em todos esses países, ficou evidente que o interesse no Brasil existe e é sólido – o que falta é previsibilidade e confiança na atual gestão. Quando interlocutores experientes perguntam, com visível desconforto, em que lado o Brasil está em determinados conflitos ou que critérios orientam as posições do governo brasileiro em fóruns multilaterais, não se trata de curiosidade retórica. É a expressão de uma incerteza real sobre se o Brasil pode ser tratado como parceiro confiável ou se suas posições variam ao sabor de cálculos ideológicos e de conveniências partidárias, caso este que é a marca registrada da diplomacia lulopetista e indicativo de que o atual governo é incapaz de identificar os interesses nacionais de longo prazo.

É nesse contexto que a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República ganha uma dimensão que vai além da política doméstica. Um futuro governo comprometido com uma política externa séria, pautada pelos interesses do Brasil, articulados em uma grande estratégia de Estado – e não pelos de um partido e seus aliados ideológicos, terá condições de reposicionar o país adequadamente no cenário internacional. A experiência do périplo que realizamos deixou claro que as portas estão abertas.

A política externa do presidente Flávio Bolsonaro se guiará por princípios simples, mas que têm sido sistematicamente ignorados: primazia dos interesses nacionais clara e objetivamente identificados, priorização de parcerias estratégicas que beneficiem o Brasil no curto, médio e longo prazo, respeito aos valores democráticos e ao estado de direito, e fortalecimento das relações com os países que compartilham esses valores, sem ceder nem um milímetro da soberania e da autonomia estratégica nacionais. Isso não significa, naturalmente, fechar os olhos para oportunidades em diferentes regiões do mundo, mas ter clareza sobre com quem o Brasil quer caminhar, como e por que – e ter a coragem de afirmar essa orientação com transparência e coerência.

Mais do que isso, será uma política externa de Estado – e não de governo – concebida e implementada como um dos eixos estruturantes de projeto de desenvolvimento nacional, que deverá formular, executar e gerir uma diplomacia pragmática, orientada à defesa intransigente da soberania nacional e dos interesses estratégicos permanentes do Estado brasileiro, à abertura de mercados, à construção de estratégias comerciais e negociais eficazes, à atração de investimentos estrangeiros diretos, à ampliação da presença brasileira nas cadeias globais de valor e ao resgate do protagonismo político, econômico e cultural do Brasil no cenário internacional.

O Brasil que o mundo quer de volta é um Brasil estável, responsável e comprometido. Um Brasil que honra seus compromissos, que trata seus parceiros com respeito, e que entende que a diplomacia é um instrumento de desenvolvimento e não um palanque para discursos ideológicos. Os países que visitamos sabem que esse Brasil existe e que pode voltar. A pergunta é quando – e a resposta, confiamos, será dada nas urnas.

Eduardo Bolsonaro é ex-deputado federal (PL-SP).

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