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Comércio fechado em meio ao lockdown.
Comércio fechado em meio ao lockdown.| Foto: Lineu Filho /Tribuna do Paraná

A moda agora é uma tal de “síndrome da gaiola”. Utiliza-se, aqui, a metáfora de que um passarinho acostumado ao cativeiro lá permanece mesmo que a portinhola das grades esteja aberta. Tal afirmação chega a assustar quando fazemos uma análise desse signo, principalmente quando as variáveis da equação são adolescentes, privação de liberdade e vida em cativeiro. Fica, então, uma pergunta no ar aos pais e responsáveis: é isso, realmente, que vocês esperam?

Segundo essa tese, os adolescentes não têm mais o desejo de ir para a escola em razão de um medo exacerbado, que lhes traz ansiedade e demais transtornos. Ancorar os problemas do cotidiano em dramas psicológicos não é novidade. Infelizmente, nossos jovens cada vez mais aproveitam a possibilidade, deixada pelos responsáveis, de se eximir de responsabilidades, flertando fortemente com o vitimismo.

Depois de tanto tempo em casa, o retorno pode soar, para alguns, como uma mudança, uma alteração de rotina que extrapola a zona de conforto, afasta os adolescentes dos jogos virtuais e de todas as facilidades, como simplesmente desligar a câmera durante a aula ou consultar páginas de busca na internet no momento da prova. Mas aí chega o momento no qual não pode haver complacência.

Dizer “não” e fazer pressão para que esses jovens se posicionem também é importante no processo de educação. Logo, neste momento de retorno presencial às escolas, o papel dos pais e responsáveis é o de avaliar as queixas e se aproximar ainda mais da instituição de ensino, pois é onde certamente vão encontrar um ambiente catalisador para que, em conjunto, possam agir com sabedoria.

Devemos nos lembrar de que a educação se dá pelo exemplo. Andar de ônibus tem seus perigos; ir ao parque e ao shopping também; mas isso não apenas por causa da pandemia, já que a vida antes da crise já contemplava uma série de perigos.

Agora, se ainda lhe restam dúvidas sobre como se posicionar, basta lembrar ou tentar imaginar o que nossos pais nos diriam neste momento... Melhor ainda, vamos refletir: e se eles tivessem fechado a porta de nossas gaiolas?

Esther Cristina Pereira é diretora e psicopedagoga da Escola Atuação, em Curitiba, e ex-presidente do Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe/PR).

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