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 | Felipe Lima
| Foto: Felipe Lima

A exclamação de Teodoro Petkoff, jornalista venezuelano proibido de sair do país para receber premiação na Espanha, retrata a marcha acelerada do (des)governo chavista rumo à tirania. Não bastasse isso, 22 diretores de jornais estão proibidos de viajar ao exterior enquanto se apura a acusação de difamação contra o presidente da Assembleia Nacional.

A Venezuela está sendo transformada em túmulo dos direitos fundamentais, dentre eles a liberdade de dissentir, se opor às ideias e condutas de quem está no governo.

Para finalizar o nocaute da sociedade civil na Venezuela falta pouco

Dói ver a tragicomédia da repetição da história. A cartilha do perfeito idiota latino-americano seguida ipsis litteris, trazendo o populismo peronista, os discursos fidelenses intermináveis, a grandiloquência oca, a paranoia de perseguição pelo “império yankee” (só falta o Maduro dizer que é culpa do FHC), a pobreza, a violência, o atraso. É intensa a sensação de déjà vu dos momentos mais medíocres do século 20.

O roteiro pastelão da Venezuela parece saído da ficção surrealista Luar sobre Parador, sem final feliz. Maduro, que não é sósia somático de Chávez, pretende sê-lo no desatino ideológico e no carisma transbordante. A comédia é bufa para quem a vê de longe. Para a massa venezuelana, que a tudo assiste bestializada, a sensação de angustiada insegurança é contínua.

Revolución hasta la última gota de sangre! Revolución o muerte! Como ainda há ressonância a essa baboseira? Notadamente porque o sangue e a morte são dos outros, não dos revolucionários que se tornam reacionários enquistados no poder. Qual a razão, finda a Guerra Fria, para o maniqueísmo binário do bem contra o mal, da luz contra a sombra? Os revolucionários são tão falíveis, ordinários quanto os governos e modelos políticos que pretendem suceder como evento inevitável da história. Não existe guia genial dos povos.

A vida social menos bruta ocorre onde todos são politicamente relevantes de fato, não só na demagogia retórica. Esse locus tem nome: democracia constitucional, com eleições livres, periódicas, limpas; garantia da integridade física, psíquica, política das minorias eventuais. A máxima “dize-me com quem andas que te direi quem és” serve para os políticos. Calar ante a repressão liberticida de Maduro é sinalizar aceitação de condutas nefastas à democracia.

O artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos preceitua o direito à liberdade de opinião e expressão, o que implica não ser molestado por suas manifestações e o direito de buscar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de comunicação.

As ditaduras não apreciam a universalidade desse direito e recorrem à autodeterminação para repudiar reclamações nos foros internacionais. Stroessner, Pinochet, Rafael Jorge Videla, Fidel Castro, Daniel Ortega, Rafael Correa são colegas nessa prática.

Para finalizar o nocaute da sociedade civil na Venezuela falta pouco. Quem sabe a criação de diário oficial que pode ser chamado de Verdad – em homenagem ao Pravda – da finada União Soviética simbolize a assunção da realidade, sem rodeios e eufemismos.

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