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Editorial

A independência, hoje

A comemoração, hoje, de 184 anos de independência colhe o Brasil no meio de uma campanha eleitoral que, ao se desenrolar com absoluta normalidade, consolida a opção democrática adotada há uma geração atrás, mas assinala novos desafios: o país precisa crescer mais, de forma sustentada, para galgar posições no mundo globalizado. Só a expansão continuada e firme confirma a autonomia política conquistada há quase dois séculos; e, para isso, os brasileiros precisam se unir em um consenso nacional pró-desenvolvimento, colocado acima e além de partidos e candidaturas.

Olhando para trás é inegável que o Brasil obteve muitos êxitos ao longo de sua crônica histórica, desde o Descobrimento há 506 anos. O período formativo encontrou aqui um território quase virgem, cuja ocupação permitiu alargar o espaço inicial até consolidar uma base continental no ecúmeno da América do Sul, sob um povoamento conduzido sem conflitos maiores por grupos humanos que se mesclaram para criar nossa sociedade, mesclada por etnias de origens diferenciadas.

A própria ausência das riquezas cobiçadas pelos colonizadores da época – metais preciosos e especiarias – preservou a nova terra de investidas predadoras, facilitando sua evolução paulatina até a emancipação trezentos anos depois. Conquistada a independência política, uma série de eventos positivos – entre eles a adoção de instituições estáveis sob um regime monárquico moderno – facilitou a superação dos conflitos de transição que fragmentaram outras colônias ibéricas vizinhas, assegurando uma unidade nacional que a República viria a consolidar um século mais tarde.

O alvorecer do século 21 da era cristã encontra o Brasil pronto para desfrutar do "status" de ator representativo no cenário internacional: uma população crescentemente homogênea, uma integração física em processo e uma liderança legitimada pelo pluralismo democrático. Mas nem tudo são flores: há imensos desafios colocados perante a geração atual, entre eles se destacando a conveniência de equilibrar a estabilidade política com o bem-estar geral, via retomada do desenvolvimento.

É que há mais de uma década o país perdeu a velocidade mantida no ciclo anterior, perdendo o dinamismo competitivo que nos caracterizou como terra de oportunidades. Diversos fatores explicam essa conjuntura desfavorável, entre eles o momento da última democratização – registrada apenas um ano antes da ruptura do experimento de socialismo real com a Queda do Muro de Berlim de 1989, que sepultou a última utopia de um paraíso terreal.

Pensadores respeitados daqui e do exterior apontam a necessidade de o Brasil recuperar sua velocidade histórica para chegar ao desenvolvimento sustentável, via escolha de instrumentos e líderes habilitados, mas sobretudo, a partir pela evolução para o consenso geral de que o sucesso depende de trabalho eficiente e duro, conforme a boa lição dos povos que deram certo.

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