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O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicou, no início de março, os dados do Produto Interno Bruto (PIB) do ano passado. Um dos destaques mais preocupantes é a queda na taxa de investimento, que ficou em 16,8% do PIB em 2025, contra 16,9% em 2024 – portanto, redução de 0,1 ponto porcentual em relação ao PIB. Também chamado de Formação Bruta de Capital Físico (FBCF), o capital físico do país é a soma de um complexo conjunto de bens de produção, isto é, ativos e estruturas que servem como instrumento para a produção de bens e serviços de consumo e bens que formam a infraestrutura física do sistema econômico, tais como: prédios, casas, máquinas, equipamentos, aparelhos, veículos, móveis, utensílios, sistemas de energia, transportes, portos, aeroportos, armazéns, telecomunicações, fábricas diversas, empresas de serviços, escritórios, escolas, hospitais, creches, instituições sociais e de lazer, edificações administrativas etc.
Quando termina um ano, o capital físico do país é a soma do que havia no início de janeiro, mais os investimentos feitos durante o ano, menos o desgaste dos bens de capital pelo uso e pelo envelhecimento tecnológico. A queda na taxa de investimento em capital físico é preocupante quando se sabe que, para o PIB crescer 5% ao ano em média, o investimento tem de ficar em torno de 25% do PIB anual. O PIB total de 2025 a preços correntes ficou em R$ 12,7 trilhões, de forma que o investimento de 16,8% equivale a R$ 2,1 trilhões. Para atingir a meta ideal de investimento de 25% do PIB, o valor total investido teria de estar em R$ 3,2 trilhões ao ano, ou seja, R$ 1,1 trilhão a mais na comparação com o que o país investe anualmente.
A taxa de investimento de 16,8% do PIB é muito baixa quando comparada com os 25% necessários para o Brasil crescer em torno de 5% ao ano
A economia do país enfrenta um dilema essencial: considerando que o total do PIB anual é limitado pela capacidade produtiva da nação, o gasto total com investimento equivalente a 16,8% do PIB em 2025 não foi maior porque a fatia composta de bens materiais e serviços de consumo ficou em 83,2% do PIB para atender o padrão de consumo atualmente existente. Dado o PIB total, mais gastos com investimento em capital físico implica menos gastos em consumo. Se o país aumentar a taxa de investimento como porcentual do PIB, por óbvio o porcentual do consumo sobre o PIB será menor, o que somente não piora o padrão de vida no presente se o PIB crescer o suficiente para manter o consumo em termos monetários nominais.
O valor monetário da renda nacional é igual ao valor monetário do PIB, pois ambos são as duas faces da mesma moeda. Tecnicamente, a parte da renda nacional não gasta em consumo – portanto, disponível para bancar o investimento em aumento do capital físico – é chamada de “poupança macroeconômica”, e esta deriva do aumento da poupança das pessoas, aumento do lucro das empresas e aumento da parte do orçamento do governo não gasta com salários e custeio da máquina estatal, ou seja, aumento da parcela dos impostos gasta com investimento. Assim, para o aumento do investimento é necessário que o governo (prefeituras, estados e União) gaste menos com o custeio e serviços da máquina pública e aumente os gastos com investimentos.
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A gestão das finanças públicas fica facilitada quando há crescimento do PIB, pois isso eleva a arrecadação tributária do governo sem que haja elevação da carga tributária. Em situação de baixo ou nenhum crescimento do PIB, o aumento dos gastos do setor público – que em geral tem dificuldade em ser austero e eficiente, e aumenta os gastos com a máquina estatal o tempo todo – é coberto pelo aumento da dívida pública ou por aumento de impostos (ou ambos, como tem sido o caso do Brasil). Neste ponto, cabe um alerta: se o país conseguir elevar a taxa de crescimento do PIB nos próximos anos acima do crescimento da população, o padrão de vida médio pode não melhorar caso a reforma tributária passe a tomar uma parcela ainda maior da renda nacional para sustentar um setor público que não para de aumentar seus gastos.
A taxa de investimento de 16,8% do PIB, portanto, é muito baixa quando comparada com os 25% necessários para o Brasil crescer em torno de 5% ao ano, porque o sistema estatal brasileiro gasta muito com o custeio da máquina administrativa e serviços públicos, mesmo com uma carga tributária de 34% da renda nacional como tributos efetivamente arrecadados. Aqui está um dos freios ao crescimento econômico do país.







