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Editorial

O modelo lulista de crescimento pelo consumo está esgotado

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Lula e o ministro Alexandre Silveira no lançamento do programa Gás do Povo, em setembro de 2025. (Foto: Google Gemini sobre foto de Ricardo Stuckert/Presidência da República)

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O agronegócio, tão demonizado pelo PT e pelo presidente Lula, segurou a economia no segundo trimestre deste ano, de acordo com os dados divulgados pelo IBGE em 1.º de setembro: a elevação de 0,5% no PIB foi bancada pela agropecuária, que cresceu 2,8%, enquanto serviços e indústria permaneceram estáveis, com elevação de 0,2% e 0,1% respectivamente. O dado mais relevante, no entanto, surge quando se mede o PIB pelo lado da demanda: a redução de 0,4% no consumo das famílias, que aponta para o possível esgotamento de um modelo muito caro ao lulopetismo: o de fazer a economia crescer apostando no gasto público e no estímulo irresponsável ao consumo.

“Não tem macroeconomia, não tem câmbio: se tiver dinheiro na mão do povo, está resolvido nosso problema” – foram essas as palavras de Lula na última reunião ministerial de 2025. A afirmação do presidente tem um fundo de verdade: se o povo tiver mais dinheiro em suas mãos, seu poder de compra cresce, o consumo nacional aumenta, as empresas passam a vender mais, a gerar mais empregos e a pagar mais impostos. A melhoria é geral. O detalhe, no entanto, é que há formas saudáveis e formas nocivas de colocar mais dinheiro nas mãos do povo. Lula escolheu essas últimas, e agora a conta chegou.

O meio mais sólido de aumentar o poder aquisitivo da população é pelo crescimento dos salários. Esse meio, porém, depende do desempenho da economia nacional, da taxa de crescimento da produção do país e, especialmente, da produtividade econômica. Ele depende da expansão da estrutura empresarial, do ambiente de negócios e da qualidade das instituições como condição estimulante da iniciativa empreendedora. Lula, em vez disso, preferiu atalhos como políticas de aumento real do salário mínimo, e agora investe em plataformas como o fim da escala 6x1 e a redução da jornada semanal de trabalho com manutenção dos salários.

Há formas saudáveis e formas nocivas de colocar mais dinheiro nas mãos do povo. Lula escolheu essas últimas, e agora a conta chegou

Quando o então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, alertou que aumento de salários sem elevação na produtividade criaria pressão inflacionária, Lula o criticou de forma falaciosa, afirmando que Campos Neto não queria que o brasileiro ganhasse mais. Recentemente, os diretores do BC, agora todos indicados pelo petista, têm afirmado nas atas e comunicados das reuniões do Copom o mesmo que Campos Neto dizia; por exemplo, quando constatam que “a taxa de desemprego tem se mantido em patamares historicamente baixos enquanto os rendimentos reais médios têm mantido a tendência de elevação acima do crescimento da produtividade do trabalho”, e quando afirmam ser necessária uma “avaliação dos padrões de transmissão dos níveis de ocupação para os rendimentos do trabalho e, finalmente, para os preços dos diversos setores da economia”. Se a linguagem mais técnica escapa à capacidade de compreensão de Lula, ou se o presidente escolheu ignorar o aviso, não se sabe; mas isso não anula o acerto da observação.

Um segundo meio para colocar “dinheiro na mão do povo” é a doação feita pelo governo às pessoas via programas sociais. É um caminho em que Lula tem investido pesadamente em busca de votos para sua reeleição, ignorando que a ampliação da transferência de recursos públicos para o bolso da população esbarra em dois obstáculos: a carga tributária brasileira já ultrapassou o limite do razoável, e não há espaço para aumento de impostos destinados a financiar mais programas sociais; e o governo já se tornou cronicamente deficitário, necessitando urgentemente de uma redução do gasto público. A gastança e os déficits forçam o Banco Central a elevar os juros, o que por sua vez afeta de forma decisiva o terceiro meio para colocar mais dinheiro no bolso dos brasileiros: a expansão do crédito bancário às pessoas físicas.

Aqui, a situação brasileira é complexa e explica por que as famílias colocaram o pé no freio do consumo. O governo plantou gastança e colheu inflação, juros e endividamento. Os juros nas linhas de crédito ao consumo se tornaram muito altos, e o grau de endividamento pessoal no país atingiu níveis elevados e preocupantes. A Confederação Nacional do Comércio informa que 82% das famílias brasileiras têm algum tipo de dívida – o maior número da série histórica –, incluindo as dívidas caras e com taxas de juros elevadas (caso do cartão de crédito e cheque especial). Três em cada dez endividados admitiram estar inadimplentes, parcela que sobe para quatro em cada dez entre os endividados que ganham até três salários mínimos mensais.

Em seu segundo mandato, Lula e seu ministro da Fazenda, Guido Mantega, deram início à “nova matriz econômica”, que consistia em fazer a economia crescer pela via do consumo, do governo e das famílias. Dilma Rousseff levou adiante esse modelo, com a ajuda de um Banco Central que manteve os juros artificialmente baixos. De início, vieram os “PIBões” e o desemprego caiu, mas o modelo era insustentável e seu esgotamento levou à pior recessão de nossa história. Lula 3 está repetindo a dose: gasta como se não houvesse amanhã, e estimula o brasileiro a gastar com programas sociais, “Desenrolas” e novas linhas de crédito, sem fazer as reformas legais e institucionais que melhorem o ambiente de negócios, sem elevar a segurança jurídica, sem aumentar a confiança nas institucionais, sem incentivar os investimentos privados, nacionais e estrangeiros, sem reduzir a carga tributária e sem eliminar o inferno de normas e regulamentos que desanimam os investidores. Agora, sua demagogia barata e deseducativa está chegando ao limite.

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