
A dívida externa está de volta. Segundo dados do Banco Central, as reservas internacionais brasileiras (incluindo os créditos no exterior) já não são suficientes para cobrir todo o endividamento do Brasil no exterior, ou seja, em termos líquidos, o país deixou de ser credor e voltou a ser devedor – o saldo negativo foi de US$ 5,1 bilhões em junho deste ano, de acordo com o BC. É a primeira vez que isso ocorre desde 2007; além disso, os US$ 407,1 bilhões que governo, bancos e empresas brasileiros devem no exterior correspondem ao maior valor em 40 anos de série histórica. Ainda que a dívida externa corresponda a uma fração muito baixa do PIB, e que as reservas brasileiras sigam elevadas e sejam mais que suficientes para honrar os vencimentos de curto prazo, o fim do status de “credor líquido” acende um alerta e dificulta a posição do Brasil diante de investidores internacionais e agências de classificação de risco.
Lula adora o mantra da “herança maldita” para se referir aos governos que o antecederam, dizendo (de forma mentirosa) que recebeu um país “quebrado” tanto em 2003 quanto em 2023. Mas é o petismo que tem se esmerado em deixar heranças malditas para seus sucessores, e não será diferente com Lula 3, caso seu adversário Flávio Bolsonaro saia vencedor no próximo domingo. É o longo período de governo do PT, com três mandatos de Lula e os seis anos e meio de Dilma Rousseff, o principal responsável pelos problemas e pelo atraso de um país que, embora rico de recursos naturais, continua pobre, com baixa renda por habitante e sem as bases principais para expansão da economia nas próximas décadas a fim de elevar a renda por habitante, reduzir a pobreza e melhorar o padrão médio de bem-estar social da população.
Lula adora o mantra da “herança maldita” para se referir aos governos que o antecederam, mas é o petismo que tem se esmerado em deixar heranças malditas para seus sucessores
Lula termina seu terceiro mandato com déficit primário em todos os quatro anos – e o número real é bem pior que o oficial, tantas as exceções introduzidas por governo, Congresso e STF para efeitos de cumprimento da meta fiscal. A gastança forçou o BC a elevar os juros, que hoje são a última barreira que impede a disparada da inflação – e ainda assim o IPCA ronda o limite máximo de tolerância da meta. A dívida pública saltou dez pontos como proporção do PIB. E, para se reeleger, Lula já comprometeu cerca de R$ 300 bilhões em medidas eleitoreiras.
Em meio a tantos indicadores catastróficos, resta o desemprego, cuja taxa tem estado nos níveis mais baixos da série histórica. Ainda assim, há muito a ponderar sobre este número, que sofre a influência das mudanças tecnológicas no sistema produtivo, principalmente daquelas que venham a substituir trabalho humano por máquinas e sistemas inteligentes mais modernos e mais eficientes. Os indicadores de desemprego atuais, embora sejam bons, omitem o fato de a economia brasileira estar superaquecida devido aos estímulos do governo, repetindo a estratégia da “nova matriz econômica” e que já mostrou estar se esgotando. Além disso, permanecem problemas como os baixos salários médios nos empregos de mão de obra não qualificada, e a estagnação no nível de ocupação (o porcentual de pessoas em idade de trabalhar que estão ocupadas), que desde a recuperação pós-pandemia tem ficado na casa dos 57% ou 58%, os mesmos níveis pré-crise de 2015-16. E sempre é preciso recordar que a metodologia de cálculo do desemprego não inclui os brasileiros em idade de trabalhar que, ao passarem muito tempo buscando ocupação formal, desistem de procurar ao não encontraram colocação que lhes satisfaça.
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A economia, certamente, não é o único tema importante desta eleição, e para muitos brasileiros nem sequer é o principal – assuntos como a segurança pública ou a normalização institucional do país, com a retomada da democracia e do respeito às liberdades após anos de juristocracia e perseguição, são ainda mais urgentes na mente de boa parte do eleitorado. Mas isso não tira relevância da forma irresponsável como Lula conduziu a economia brasileira nestes quatro anos. Se não houver uma guinada que crie um clima de otimismo em relação ao mundo do trabalho e dos negócios, outros problemas não serão solucionados, outras necessidades não serão atendidas, e o país será mantido na estagnação da renda por habitante e longe do sonho de ser um país desenvolvido.
Ficou célebre uma expressão cunhada por James Carville, estrategista político da campanha eleitoral norte-americana de 1992, em que Bill Clinton disputou a presidência dos Estados Unidos contra George H. W. Bush. “It’s the economy, stupid!” (“é a economia, estúpido!”) tornou-se um bordão que sobreviveu à disputa na qual Clinton acabou eleito. No Brasil de 2026, diante do avanço das facções criminosas ou do agigantamento do STF, transformado em tribunal político por seus membros, não podemos esquecer do buraco em que Lula colocou o Brasil em termos econômicos, e do qual não sairemos se o petista conquistar seu quarto mandato. O retorno do Brasil à condição de devedor internacional é um forte lembrete de que o slogan de 1992 precisa ser adaptado para os nossos tempos: “é o STF, é a segurança pública, mas é a economia também, estúpido!”



