
O presidente Lula buscará a reeleição em outubro sem um dos trunfos econômicos que ele mais ambicionava: a recuperação do grau de investimento, o “selo de bom pagador” que as agências de classificação de risco deram ao Brasil em 2008 e 2009, na esteira da euforia com o pré-sal e o boom de commodities, e retiraram em 2015 e 2016, com a enorme recessão provocada pela “nova matriz econômica” lulodilmista. “No ano que vem, possivelmente, em uma ou duas agências de risco, estaremos em um grau de investimento”, afirmou Fernando Haddad em setembro de 2024. Pois 2025 passou e 2026 também passará sem que o Brasil retome essa distinção importante para atrair investimentos estrangeiros.
Esforço da parte e Lula e Haddad não faltou – esforço puramente retórico, é claro. Em setembro de 2024, aproveitando a viagem a Nova York para a Assembleia Geral da ONU, o presidente da República e o ministro da Fazenda se reuniram com representantes das três grandes agências de classificação de risco – Fitch, Moody’s e Standard & Poor’s – para tentar convencê-las de que o Brasil era, novamente, um país confiável. Por um momento, chegou a parecer que a lábia petista funcionaria: alguns dias depois, a Moody’s anunciou uma elevação da nota brasileira, que ficou apenas um nível abaixo do grau de investimento, com perspectiva positiva. As outras duas agências, no entanto, não se mexeram, ambas publicando notas explicando por que não viam motivos para mudança àquela altura.
Dada a natureza gastadora do petismo, sua manutenção no poder continuará a manter o Brasil longe do grau de investimento
Os avaliadores da Moody’s, no entanto, retomaram ao menos parcialmente o bom senso em meados de 2025, quando alteraram de positiva para estável a perspectiva sobre a nota brasileira – que foi mantida no mesmo nível do fim de 2024. Desde então, nem Standard & Poor’s nem Fitch mexeram na sua avaliação a respeito do Brasil. A Fitch chegou a avisar, em setembro do ano passado, que não via “o Brasil voltando a ganhar um grau de investimento tão cedo”. Agora, repete o alerta em estudo enviado a clientes da agência, afirmando que o Brasil tem uma “posição fiscal fraca” e precisaria de “um plano de consolidação fiscal que seja substancial, crível e suficiente para fortalecer nossa confiança na estabilização da dívida a médio prazo” – deixando subentendido que a atual política fiscal lulista não cumpre esses critérios.
A Fitch percebeu que mesmo bons indicadores atuais, como o baixo desemprego, estão sendo conquistados à custa de um superaquecimento da economia, movida a excesso de gasto público e estímulo intenso ao consumo das famílias. O resultado é uma dívida pública que já estava acima da média da América Latina e dos países emergentes em 2023, e que disparou desde que Lula subiu a rampa do Palácio do Planalto – a previsão é de que tenha subido incríveis dez pontos porcentuais quando terminar o atual mandato. O arcabouço fiscal proposto e aprovado pelo governo já se tornou um morto-vivo, em que as metas são cumpridas no papel, mas com tantas exceções que o déficit primário real do governo central foi 4,7 vezes maior que o déficit primário considerado para efeitos de cumprimento da meta fiscal.
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“Esperamos que qualquer governo entrante busque novos esforços de consolidação, mas o ritmo e a estratégia dependerão de quem vencer”, diz o relatório da Fitch, dando o ano de 2026 como perdido do ponto de vista fiscal – algo que até o governo admite pela boca da ministra do Planejamento, Simone Tebet: “Acho que a janela para as grandes mudanças estruturais no ajuste acabará ficando para a pós-eleição de 2026”, disse ela em março do ano passado. Embora reconheça a existência de dificuldades para um ajuste fiscal independentemente do vencedor de outubro, a agência de classificação de risco indica que as reformas seriam mais prováveis caso a direita triunfe. Uma avaliação totalmente previsível: dada a natureza gastadora do petismo, sua manutenção no poder continuará a manter o Brasil longe do grau de investimento.



