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editorial 1

O fim de Kadafi

Chegou ao fim ontem, de forma dramática, a vida do ditador líbio Muamar Kadafi, que há meses vinha sustentando uma guerra fratricida contra opositores que queriam derrubá-lo do poder. Kadafi, que brandia aos quatro ventos que esmagaria as forças rebeldes, foi localizado escondido em um túnel na cidade natal de Sirte. A partir daí as notícias sobre a sua morte ainda são desencontradas, não se descartando a hipótese de que tenha sido fuzilado. Segundo depoimento de um médico que acompanhou o transporte do corpo, o tirano foi morto com dois tiros no peito.

Não há como não identificar na morte de Muamar Kadafi semelhanças com a captura do ditador iraquiano Saddam Hussein, localizado pelas tropas norte-americanas no interior de um buraco em Tikrit, a cidade onde nasceu. Tanto Saddam como Kadafi governaram com mão de ferro os seus países ao longo de décadas, instalando no poder oligarquias mergulhadas na corrupção e na crueldade.

No caso do ditador líbio, o seu ocaso coincide com o surgimento da chamada Primavera Árabe, um movimento de cunho popular por democracia e liberdade que sacudiu países do Oriente Médio e da África. Os governos despóticos da Tunísia e do Egito foram os primeiros a cair diante das manifestações que tomaram as ruas das cidades e a bola da vez apontava para a Líbia. Por todos os meios, Kadafi procurou se agarrar ao poder iniciando uma reação sangrenta contra as tropas rebeldes apoiadas pelas forças aliadas do Ocidente.

A morte do ditador líbio encerra um capítulo tumultuado da vida política interna. Entretanto, não representa o fim das profundas dificuldades que o país enfrenta. Pelo contrário, tempos difíceis ainda estão reservados para a sofrida população líbia, que se livrou de um déspota, mas não sabe ainda como ficará o futuro sem ele. A exemplo do Iraque e do Egito, que vivem dias de incerteza depois da deposição dos seus governantes, o mesmo destino parece estar reservado para a Líbia, pelo menos no curto e no médio prazo. A economia combalida por décadas de desgoverno, as dificuldades de uma composição política em razão das várias vertentes étnicas existentes no país e o viés religioso são fatores que prenunciam enormes dificuldades para o país na era pós-Kadafi.

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