Durante um ano, pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), de Sorocaba, analisaram o lixo produzido em Indaiatuba, cidade de 175 mil habitantes no interior paulista. O resultado do trabalho revelou que cerca de 90% dos resíduos poderiam ser utilizados e reciclados. Apenas 10% das 135 toneladas de lixo produzidas diariamente, lixo de banheiro, fraldas descartáveis, pilhas e outros materiais capazes de causar contaminação, deveriam ter como destino o aterro sanitário.
O estudo, publicado pela Associação Internacional de Resíduos Sólidos, é parte de um projeto de desenvolvimento de processos alternativos de reciclagem de embalagens plásticas feitas a partir de poli (tereftalato de etileno), o conhecido PET das garrafas de refrigerante, água mineral e óleo de cozinha, com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
Dados do Diagnóstico do Manejo de Resíduos Sólidos Urbanos/2006, feito pelo Sistema Nacional de Informação sobre Saneamento (SNIS), endossam a preocupação. Cada brasileiro produz em média 920 gramas de lixo sólido por dia, já a quantidade de lixo reciclável que é recuperada, seja na coleta seletiva, seja por catadores, chega a míseros 2,8 kg por ano, por habitante.
Nos países desenvolvidos, a quantidade de lixo produzido tende a diminuir em decorrência de políticas de redução da produção de detritos, que valem tanto para domicílios como para o setor industrial. O que resta para o trabalho de coleta, depois de uma seleção prévia do que vai para o aterro e para a reciclagem, é um volume menor.
Ainda pelo diagnóstico do SNIS, levado a efeito em 247 municípios, que concentram quase 50% da população brasileira, 90% dos habitantes dessas cidades são atendidos pelo serviço de coleta de resíduos sólidos, lixo produzido em casa e na indústria que não é enviado para o esgoto.
A coleta seletiva formal, no entanto, feita com caminhões adequados, está presente em 55,9% dos municípios pesquisados, enquanto catadores de lixo trabalham em 83% dos casos. Entre os principais materiais coletados estão papel e papelão (44,3%), plásticos (27,6%) e metais (15,3%).
Atualmente, existem no país mais de 700 mil catadores de lixo reciclável. Cerca de 53% dos catadores dos municípios pesquisados estão ligados a alguma cooperativa. Em 160 cidades, foram destinados recursos federais para a construção de galpões de catadores, um programa que visa a organizar as pessoas que trabalham nessa área.
Mas, até para não consolidar e institucionalizar a dependência dessas pessoas à crescente quantidade de lixo nas cidades, são necessárias ações tanto para conscientizar a população sobre a importância da separação do lixo em casa quanto para instrumentalizar a coleta seletiva nos municípios.
O secretário nacional de Saneamento Ambiental, Leodegar Tiscoski, lembra que de nada adianta ter uma seleção no domicílio se é tudo jogado dentro de um volume só e não recebe tratamento de nenhuma espécie. Garanta o futuro, separe o lixo, diz a propaganda oficial em Curitiba, capital que já foi modelo nacional em matéria de meio ambiente e vem perdendo terrenos. A mensagem pode até continuar válida, mas apenas isso é insuficiente.



