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| Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo

O ano de 2018 já trazia consigo muita incerteza graças ao processo eleitoral ora em curso. Ainda que a possibilidade de candidatura do ex-presidente Lula seja praticamente nula – a não ser que os tribunais superiores resolvam atropelar a Lei da Ficha Limpa –, a possibilidade de que saia vencedor um candidato com posturas populistas, sem compromisso nenhum com o ajuste fiscal, não pode ser totalmente descartada. Em um cenário como esse, não surpreende que o setor privado hesite em realizar todos os investimentos de que o país precisa para sair de vez da crise em que foi jogado pela política econômica petista. Mesmo com o trabalho feito pela equipe econômica do presidente Michel Temer, que permitiu a queda da inflação e dos juros, o temor de que tudo seja colocado a perder com a eleição de um irresponsável ainda perdura.

Como se não bastasse a desconfiança decorrente do panorama eleitoral, a greve dos caminhoneiros abalou de vez a confiança do empresário. Além das perdas decorrentes da paralisação em si, com tudo o que deixou de ser produzido e vendido naquela segunda quinzena de maio, o setor produtivo viu um governo enfraquecido ceder aos grevistas e instituir um absurdo tabelamento de frete que chegou ao Supremo Tribunal Federal e que, se mantido, deve impor pesadas perdas. Entidades ligadas à produção e comercialização de soja estimaram o impacto do tabelamento em R$ 53 bilhões, com impacto de quase um ponto porcentual na inflação anual e queda de R$ 20 bilhões na massa salarial real.

O país precisa oferecer um mínimo de segurança para que o setor privado possa ser o motor do crescimento

O mercado financeiro já assimilou os efeitos da greve dos caminhoneiros e de choques externos, alterando as previsões para o câmbio e para o crescimento do PIB em 2018. Segundo o mais recente boletim Focus, publicado pelo Banco Central e que recolhe as estimativas dos principais bancos, gestores e outras instituições, o país deve crescer 1,76% neste ano. Para se ter uma ideia do quanto os eventos recentes impactaram o mercado, apenas quatro semanas antes a previsão era de 2,5% de crescimento.

Tudo isso está levando a indústria a reduzir as previsões de investimento. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo atualizou suas projeções na semana passada. Se em março as empresas pretendiam investir 1,2% a mais que no ano passado, agora a estimativa é de queda de 0,4%. Movimento semelhante já foi identificado por associações setoriais, como a da indústria têxtil. O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados, Heitor Klein, disse ao jornal O Estado de S.Paulo que, na maioria dos casos, o investimento se limitará à reposição de equipamentos, não em expansão ou inovação.

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Sem investimentos robustos, o setor produtivo brasileiro vai perdendo mercado e ficando para trás em competitividade, ampliando uma diferença que exigirá ainda mais esforços e recursos no futuro para ser recuperada. O empreendedor certamente sabe disso. Mas não se pode exigir das empresas que empenhem seus recursos no que, hoje, se configura mais como aposta que como certeza. O país precisa oferecer um mínimo de segurança para que o setor privado possa ser o motor do crescimento do país: além da segurança jurídica, necessária hoje e sempre, neste ano também aprendemos a importância da segurança de que a política econômica que iniciou a recuperação do Brasil seja mantida, e da segurança de que o país não voltará a ser refém de uma classe que impõe sacrifícios a todo o país em nome de demandas classistas.

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