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editorial 1

O terror sem Bin Laden

O dia 11 de Setembro de 2001 ficou para sempre marcado na memória dos norte-americanos, quando o maior atentado terrorista da História destruiu as torres do World Trade Center, em Nova Iorque, e parte do edifício do Pentágono, em Washington. O golpe atingiu fundo o orgulho do país que, apesar do todo o aparato militar e tecnológico, mostrou-se impotente para evitar a ação que deixou perto de 3 mil mortos. O mentor intelectual da operação foi identificado como sendo o saudita Osama bin Laden, fundador do grupo extremista Al-Qaeda, responsável por ações terroristas em várias partes do mundo.

Quase dez anos depois, o fantasma do 11 de Setembro parece que finalmente vai ser exorcizado com o anúncio, no domingo último, pelo presidente Barack Obama, da morte de Bin Laden, durante ação militar no Paquistão. A notícia provocou uma onda de euforia nos Estados Unidos, com a população extravasando num mesmo sentimento um misto de justiça e vingança pelo fim dado ao inimigo público número 1 da nação.

A morte de Bin Laden encerra a maior caçada já empreendida a um criminoso no mundo, mas está longe de pôr um termo às ações terroristas, cujos tentáculos se estendem hoje pelos quatro cantos do planeta. Fenômeno típico do século 20, o terrorismo é alimentado por grupos muito bem organizados que, agindo cegamente sob a bandeira de uma causa, não hesitam em matar, destruir e até morrer na defesa de seus princípios. Ainda que os objetivos não sejam alcançados na sua plenitude, a repercussão traumática dos atos extremistas na opinião pública já são considerados como uma vitória.

Nos últimos anos, a motivação política que move organizações terroristas como o ETA, no país basco, e o IRA, na Irlanda do Norte, vem sendo sobrepujada pelo extremismo que usa a religião islâmica como pano de fundo para as suas ações. Movidos cegamente pelo fundamentalismo, esses grupos estão hoje espalhados por vários países, à espreita do melhor momento para perpetrarem um novo atentado. Como combater esse mal contemporâneo e desarmar o discurso que serve de combustível para as ações radicais é a grande indagação a ser respondida. Os Estados Unidos e seus principais aliados na Europa têm procurado usar as armas da tecnologia e da inteligência para se antecipar aos atos do terror, o que até certo ponto vem sendo conseguido. Para tanto, o 11 de Setembro serviu de divisor de águas nas medidas antiterror, a partir de novos protocolos de segurança que foram adotados, notadamente no âmbito interno dos países potencialmente mais ameaçados.

Ainda que mostre uma relativa eficiência, a verdade é que essas táticas de prevenção e repressão garantem um nível apenas relativo de resultados. Não se procura, de forma efetiva, eliminar as principais causas que favorecem o surgimento e até mesmo o apoio popular aos núcleos extremistas. O fosso entre o Ocidente e o Oriente, a pobreza absoluta em boa parte do mundo, a corrupção dos governos e a degradação moral da sociedade moderna são ingredientes que contribuem diretamente para fomentar o terrorismo mundial. Portanto, a morte de Bin Laden deve ser considerada como uma resposta de Washington aos norte-americanos pelo ocorrido no fatídico setembro de 2001, mas seguramente insuficiente para imaginar que possa representar um golpe fatal no terror.

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