A pesquisa divulgada pelo Ministério da Justiça, sobre o que pensam e como agem os agentes encarregados da segurança pública, não chega propriamente a surpreender. Os dados mostrando que 69% deles acham que os colegas não denunciariam o parceiro que cedesse a um suborno de certa forma apenas confirmam o que a sociedade sempre suspeitou. Ou testemunhou em vários episódios. Feito entre os meses de abril e maio, o estudo, divulgado ontem pela Gazeta do Povo, ouviu 64.130 policiais civis e militares, bombeiros militares, guardas municipais e agentes penitenciários. Como avaliou o sociólogo Pedro Bodê, coordenador do Centro de Estudos em Segurança Pública da Universidade Federal do Paraná (UFPR), provavelmente muitos desses agentes não acreditam que quem age errado será investigado e punido pela instituição. De qualquer modo, a maioria disse que conversaria com o colega para que ele não repetisse o "desvio de conduta", indicando que esse grupo não está passivo, e não quer que a corrupção vire uma cultura dentro da corporação. É preciso mais que isso. O debate não pode ficar circunscrito às autoridades de segurança pública nem pode negligenciar uma perspectiva tão positiva quanto desafiadora: 70% dos entrevistados querem uma nova polícia.
Editorial 2



