Gilberto Gil deixa o Ministério da Cultura. Isso já era esperado, já que aceitou o convite para integrar o governo Lula, no primeiro mandato, com a condição de que permaneceria no cargo por um ano, apenas. Mas, diante dos apelos, acabou ficando por cinco anos e meio. Gil reconhece que, no segundo mandato, dedicou mais tempo à carreira artística que ao ministério, embora não tenha negligenciado como ministro. E deixa Brasília com o sentimento de dever cumprido. Para o ministro que sai, a música que mais representa sua gestão é Refazenda, gravada em 1975, ao voltar do exílio, por causa da ditadura militar. A composição, como lembrou, por acaso se refere ao Planalto Central e às pragas planaltinas. "O governo do presidente Lula significa uma refazenda extraordinária no país", em sua opinião: "Amanhã será tomate, anoitecerá mamão". Para admiradores, Gil foi um ministro com a cara do Brasil. E fez algo muito importante: com a definição de uma política para os patrocínios públicos, ajudou a resgatar a cultura de uma espécie de círculo de giz caucasiano formado pelos critérios unicamente empresariais e de mercado.
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