Nas exageradas comemorações na mídia pelos 60 anos da Petrobras, quase não se divulgou que a mensagem presidencial ao Congresso Nacional criando a estatal e a sanção da Lei 2004, de 3 de outubro de 1953, foram de autoria do presidente Getúlio Vargas, no seu último período governamental. Aliás, coube a Vargas, após a Revolução de 30, decretar o Código de Minas, nacionalizando o subsolo, que até então pertencia ao dono do terreno. Ele ainda fundou o Conselho Nacional do Petróleo (CNP), que descobriu o ouro negro no território do estado da Bahia.
Na sua carta-testamento deixada ao povo brasileiro na manhã fatídica de 24 de agosto de 1954, quando dilacerou com um tiro seu próprio coração, Getúlio Vargas disse: "Tentei criar a potencialização de nossas riquezas através da Petrobras, e mal esta começa a funcionar a onda de agitação se avoluma". Resultante da campanha popular O Petróleo é Nosso, a Petrobras hoje é a maior empresa brasileira, premiada internacionalmente como dotada de moderna e incomparável tecnologia na perfuração em águas profundas, e seu Centro de Pesquisas (Cenpes) é considerado o melhor do mundo.
A descoberta do pré-sal e do Campo de Libra colocou a Petrobras em destaque universal. As reservas de Libra são gigantescas, da ordem de 8 bilhões a 10 bilhões de barris, avaliados em US$ 1 trilhão pelo ex-diretor da Petrobras Ildo Sauer e que serão extraídos ao longo de 20 anos. Se houver o leilão, será a maior privatização da história do país. A saída mais lógica seria atribuir à Petrobras a exploração do Campo de Libra, feita no contexto dos superiores interesses do Brasil.
Diversos ex-diretores e ex-presidentes da Petrobras, a Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet), o Clube de Engenharia do Rio de Janeiro e várias outras entidades não aprovam a realização do leilão no próximo dia 21, e inclusive farão tentativas por via judicial para impedir sua efetivação. O senador Roberto Requião ingressou com medida legislativa e discursou contra o leilão.
Afirma-se que a justificativa preponderante para que haja o leilão é o fato de o vencedor ter de depositar R$ 15 bilhões, que o governo utilizaria para reforçar seu caixa e viabilizar o superávit primário de 2,6% do PIB em 2013. Em face das reações negativas, talvez fosse conveniente o adiamento do leilão pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) para discutir amplamente a questão, dirimir dúvidas e assegurar os reais interesses do Brasil.
Léo de Almeida Neves, ex-diretor do Banco do Brasil e ex-deputado federal, é membro da Academia Paranaense de Letras.



