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A BR-277 é a rodovia federal com maior número de acidentes e mortes no Paraná. É o que aponta o Guia CNT de Segurança nas Rodovias Brasileiras 2026, com dados referentes a janeiro a dezembro de 2025.
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A BR-277 concentrou 2.155 acidentes no último ano - 28,3% das ocorrências registradas nas rodovias federais do estado - e 152 mortes, o equivalente a 25,7% do total. No Paraná, foram contabilizados 7.616 acidentes e 592 óbitos no período, além de 8.525 pessoas feridas.
A proporção estadual é de oito mortes a cada 100 acidentes. Para o porta-voz da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no Paraná, André Filgueira, os números refletem o peso estratégico da rodovia.
“Estamos falando de uma das principais ligações entre o interior, a capital e o Porto de Paranaguá. O volume de tráfego é muito elevado e isso impacta diretamente nas estatísticas”, afirma.
Colisões são tipo mais comum de acidentes nas rodovias do Paraná
O levantamento mostra que o tipo de acidente mais frequente no estado é a colisão, responsável por 61% das ocorrências e 63,2% das mortes. Em seguida aparecem saídas de pista e capotamentos. Entre as principais causas de acidentes está a reação tardia ou ineficiente do condutor, enquanto o trânsito na contramão lidera como causa de mortes.
Segundo Filgueira, o fator humano ainda é determinante na BR-277. “Grande parte dos acidentes graves está associada a comportamentos de risco. O excesso de velocidade e a ultrapassagem em local proibido continuam sendo decisivos para colisões frontais e saídas de pista”, diz.
Trânsito na contramão lidera como causa de mortes nas estradas do Paraná.
A BR-277 reúne características que potencializam o risco, especialmente no trecho entre o litoral do estado e Curitiba. Além de ser corredor de escoamento de cargas, a rodovia atravessa a Serra do Mar, com curvas fechadas e declives prolongados. “No contexto de serra, qualquer falha mecânica ou erro de condução pode ter consequências muito mais graves”, observa o porta-voz da PRF.
Do litoral à capital, pontos mais perigosos aparecem no ranking
O Guia CNT de rodovias aponta que o trecho entre os quilômetros 0 e 10 é o mais crítico do Paraná em número de acidentes e mortes, com 214 ocorrências e nove óbitos no período analisado. Outros segmentos da BR-277 também aparecem entre os dez mais perigosos do estado, como os intervalos entre os kms 70 e 80 (em São José dos Pinhais) e entre os kms 720 e 730 (Foz do Iguaçu).
Para a PRF, a concentração no início da rodovia está ligada ao intenso fluxo urbano e metropolitano. “É uma região de acesso à capital, com tráfego elevado, entradas e saídas frequentes e mistura de veículos leves e pesados. Isso aumenta o risco de colisões”, explica Filgueira.
No ranking por número de mortes em intervalos de 10 quilômetros, a BR-277 volta a aparecer com destaque, incluindo os trechos entre os quilômetros 110 e 120, 180 e 190 e 670 e 680. A repetição da BR-277 nas duas listas reforça o peso da rodovia no cenário estadual.
Embora a Pesquisa CNT de Rodovias 2025 indique que 51,4% da malha federal no Paraná apresenta algum tipo de problema - 49,8% com falhas no pavimento e 54,5% com deficiência na geometria da via - a BR-277 não figura entre os piores trechos classificados como “péssimo”. Ainda assim, lidera em ocorrências.
Filgueira ressalta que infraestrutura e comportamento caminham juntos. “A condição da via é importante, mas o que mais observamos nas fiscalizações é imprudência. A combinação de velocidade incompatível com o trecho e manobras arriscadas explica muitos dos acidentes”, afirma.
Fiscalização e educação no foco da BR-277
Diante dos números da BR-277, a PRF afirma que mantém fiscalização permanente no trecho entre o litoral e Curitiba. Além das abordagens para verificação de veículos e condutores, há operações direcionadas para coibir o excesso de velocidade e as ultrapassagens proibidas. Em 2025, 509.819 veículos foram flagrados acima do limite e 13.224 realizando ultrapassagens irregulares no Paraná.
No trecho de serra da BR-277, a corporação faz fiscalizações técnicas com apoio de mecânicos das concessionárias. “Retiramos de circulação veículos de carga com problemas em freios e suspensão. A descida da serra exige condições mecânicas adequadas, especialmente para caminhões”, explica.
Ao longo do ano passado, 296.897 veículos foram fiscalizados no estado, dos quais 128.899 eram veículos de carga - 43% do total. “A presença do transporte pesado é muito significativa na BR-277, e isso exige atenção redobrada tanto dos caminhoneiros quanto dos motoristas de veículos leves”, afirma o porta-voz.
A estratégia inclui ações educativas. Para Filgueira, o desafio na BR-277 é permanente. “É uma rodovia vital para o Paraná, mas também é uma via onde vidas estão em jogo diariamente. Nosso trabalho é intensificar a fiscalização e a orientação, mas cada motorista precisa fazer a sua parte. A segurança na BR-277 depende de decisões responsáveis ao volante”.












