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Em poucas semanas de 2026, a Receita Federal apreendeu mais canetas emagrecedoras na fronteira com o Paraguai do que em oito meses de 2025. Foram 13.321 caixas retidas entre 2 de janeiro e 9 de fevereiro — um salto de quase 80% em relação às 7.479 caixas confiscadas no período de maio a dezembro do ano passado. Tornou-se um dos principais produtos apreendidos na aduana.
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Segundo a Receita Federal, a facilidade de transporte (ampolas pequenas, alto valor agregado) e a demanda em alta no Brasil tornaram o produto tão lucrativo quanto eletrônicos ou cigarros. O que antes era produto de nicho em farmácias discretas de Ciudad del Este virou vitrine principal de grandes lojas de departamento, shoppings e até estabelecimentos de cosméticos.
Por trás da febre, porém, escondem-se riscos graves: produtos falsificados, crime organizado e penas de até 15 anos de prisão para quem cruza a fronteira com uma única ampola. Há dois enquadramentos jurídicos possíveis: contrabandista (pena de 2 a 5 anos) e pela Lei de Medicamentos, cuja pena vai de 10 a 15 anos.
Mercado milionário das canetas emagrecedoras entram na mira do crime organizado do Paraguai
A explosão nas vendas não passou despercebida pelas organizações criminosas paraguaias. O mercado de emagrecedores movimenta milhões de dólares e está na mira de grupos especializados em contrabando.
A Anvisa proibiu cinco marcas mesmo com receita médica: Lipoless Éticos, Tirzapep, Synedica, T.G. e Retatrudide. As quatro primeiras são versões não registradas de medicamentos à base de tirzepatida (princípio ativo do Mounjaro, comercializado legalmente no Brasil) e a última é a droga de terceira geração dos emagrecedores ainda não aprovada oficialmente em nenhum país.
Além da cadeia, há o risco de levar para casa uma fraude. Casos de ampolas contendo apenas soro fisiológico ou substâncias não identificadas se multiplicam. Mesmo produtos legítimos podem ter a eficácia comprometida: todas as canetas emagrecedoras precisam ser refrigeradas durante transporte e armazenamento — condição raramente respeitada no comércio informal de Ciudad del Este, no Paraguai.
De farmácias discretas a vitrines de shopping
Até meados de 2025, as canetas emagrecedoras eram vendidas apenas em farmácias simples, quase escondidas nas ruas de Ciudad del Este. Quiosques em shoppings e até lojas de cosméticos entraram na onda. Hoje, três das maiores lojas de departamento da cidade exibem os produtos como atrativos principais.
Uma delas já oferece peptídeos, considerada a próxima tendência do mercado de emagrecimento e com potencial de se tornar uma nova onda de consumo que deve repetir os riscos das canetas emagrecedoras. Os peptídeos — componentes naturais que atuam como mensageiros químicos no organismo — ganharam destaque recentemente em medicina, nutrição e cosméticos. Eles regulam processos como metabolismo, apetite, cicatrização e até sono.
A insulina, por exemplo, é um peptídeo fundamental para diabéticos. No campo da estética, peptídeos aparecem em cremes anti-idade. Já na nutrição esportiva, são estudados por possível contribuição na recuperação muscular — embora especialistas alertem que o uso exige orientação profissional rigorosa.





